Tudo o que Zeca compôs – JN

“José Afonso – todas as canções” é a prova de que Zeca não foi apenas um cantor de intervenção. Essa é a convicção dos autores do livro que dá a conhecer a totalidade da obra do cantor e compositor. Uma obra construída ao longo de 32 anos.
A edição deste livro serve para “lutar contra a tendência de colocar Zeca Afonso na gaveta do canto de intervenção”, justifica José Mário Branco, co-autor da obra, em declarações à Lusa. Em causa, uma publicação em que, pela primeira vez, se reuniram letras, partituras e cifras de todos os temas por ele compostos.
O livro contém material referente a 159 canções que Zeca Afonso compôs e gravou. Estava pronto desde 2004, mas só recentemente se conseguiu autorização da família para publicação, da responsabilidade da editora Assírio & Alvim.
Além de José Mário Branco, participaram na compilação João Lóio, Guilhermino Monteiro e Octávio Fonseca. No prefácio, os autores referem que falar de Zeca só como o maior cantor português de intervenção “é a forma mais eficaz de liquidar a obra do grande mestre da música popular portuguesa” e, ao mesmo tempo, “é induzir no grande contingente de distraídos a ideia de menoridade artística, (mal) associada à canção política”.
Nesse sentido, sublinham que as “canções de conteúdo expressamente político são até minoritárias no conjunto da sua obra”, pelo que arrumar Zeca na “gaveta” da canção de intervenção “é não compreender que a dimensão da sua obra está ao nível do que de mais importante se fez na música popular universal do século XX”, dizem. E lamentam: “Se não teve o impacto mundial que merecia, foi tão-somente porque ele nasceu onde nasceu”.
Referindo que, de há uns anos a esta parte, o compositor “passou a ser o autor mais cantado por todas as gerações e diferentes escolas de músicos”, os autores lembram também que Zeca “renovou a nossa canção popular a partir da tradição musical coimbrã em que se iniciou, integrando novas influências e marcando decisivamente as gerações seguintes”.
“Há toda uma geração de músicos e estudantes de música que podem descobrir e o repertório de Zeca Afonso, sem a carga política dos tempos logo a seguir ao 25 de Abril”, disse ainda José Mario Branco, acrescentando que quem quiser aprender a tocar os temas do compositor pode fazê-lo “com a certeza de que tem a transcrição fiel” dos mesmos. A este propósito, os autores referem no prefácio que apenas se permitiram “alterar a tonalidade de algumas canções na transcrição” em três casos específicos.
A vasta obra discográfica de José Afonso iniciou-se em 1953 e terminou em 1985, ano em que foi editado o seu último álbum de originais, “Galinhas do mato”. Devido ao seu estado de saúde, Zeca já não conseguiu cantar todas os temas desse disco. Dois anos antes, o cantor actuou pela úlima vez. O derradeiro concerto, realizado no Coliseu de Lisboa, foi agora editado pela primeira vez em DVD, jutamente com o CD “Galinhas do mato”.

Isabel Peixoto | Jornal de Notícias

Nota da AJA: O derradeiro concerto de José Afonso não foi no Coliseu de Lisboa, como é hábito referir-se. Depois de Lisboa, José Afonso actuou nas Caldas da Rainha, no Coliseu do Porto, Coimbra, Évora e Barreiro. Em breve, colocaremos aqui no blogue um artigo sobre este assunto.

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