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Cesto

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ALINHAMENTO

01. Traz outro amigo também
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Maria Faia
LETRA/MÚSICA Popular, Malpica, Beira Baixa

03. Canto moço
LETRA/MÚSICA José Afonso

04. Epígrafe para a arte de furtar
LETRA Jorge de Sena
MÚSICA José Afonso

05. Moda do entrudo
LETRA/MÚSICA Popular, Malpica, Beira Baixa

06. Os eunucos (No reino da Etiópia)
LETRA/MÚSICA José Afonso

07. Avenida de Angola
LETRA/MÚSICA José Afonso

08. Canção do desterro (Emigrantes)
LETRA/MÚSICA José Afonso

09. Verdes são os campos
LETRA Luís de Camões
MÚSICA José Afonso

10. Carta a Miguel Djédje
LETRA/MÚSICA José Afonso

11. Cantiga do monte
LETRA/MÚSICA José Afonso


Prémio Casa da Imprensa
para Melhor Disco
Prémio Honra atribuído pela Casa da Imprensa
“Pela alta qualidade da sua obra artística como autor e intérprete e pela decisiva influência que exerce em todo
o movimento de renovação da música popular portuguesa”

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu STAT 005)
gravação
Pye Records Studio, Londres, 1970
músicos
Carlos Correia “Bóris”: Viola (Colaboração de Filipe Colaço)
O acompanhamento de «Epígrafe para a arte de furtar» foi tocado apenas por José Afonso. 
capa
José Santa-Bárbara
texto
Bernardo Santareno

EP's EDITADOS A PARTIR DO LP

Os eunucos, 1971

ALINHAMENTO

01. Os eunucos (No reino da Etiópia)
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Verdes são os campos
LETRA Luís de Camões
MÚSICA José Afonso

03. Avenida de Angola
LETRA/MÚSICA José Afonso

04. Cantiga do monte
LETRA/MÚSICA José Afonso

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu ATEP 6433)

Canto moço, 1971

ALINHAMENTO

01. Canto moço
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Canção do desterro (Emigrantes)
LETRA/MÚSICA José Afonso

03. Epígrafe para a arte de furtar
LETRA Jorge de Sena
MÚSICA José Afonso

04. Maria Faia
LETRA/MÚSICA Popular, Malpica, Beira Baixa

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda (Orfeu ATEP 6408)
edições estrangeiras
França

SINGLE

Grândola, vila morena, 1977

(Editado a partir dos LP «Traz outro amigo também» e «Cantigas do Maio»)
ALINHAMENTO

01. Grândola, vila morena
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Traz outro amigo também
LETRA/MÚSICA Popular
ARRANJO José Mário Branco

LP/33rpm

Traz outro amigo também, 1970

A arte de José Afonso é um jorro de água clara, puríssima, portuguesa sem mácula. Realmente é a "pureza" a nota maior desta arte: pureza de voz, pureza no poema, pureza na música. Neste disco, um dos mais ricos quanto a valores poéticos, é ela que domina: trova antiga purificada, folclore limpo de excrescências, balada de combate em que a justiça vai de bandeira. E o ouvinte fica tonificado, "limpo", cheio de graça, com mais vigor para a luta. No chiqueiro velho e saudosista, insignificativo e feio da música ligeira do nosso país, José Afonso surgiu como um renovador: De riso claro e leal, com punho duro de diamante, terno e gentil sem maneiramentos. Limpou crostas, desatou amarras, descobriu ramos verdes e ocultos, abriu janelas na parede bolorenta do fatalismo lusíada. E como esta arte pura e viril habitava já, nebulosamente, nos anseios da juventude que tanto pechisbeque musical mórbido e paupérrimo a traz nauseada, José Afonso conseguiu rapidamente uma enorme audiência. Ele é hoje o mais autêntico trovador do povo português, nesta hora que todos vivemos. Ninguém melhor que ele transmite os seus desesperos e raivas, as suas aspirações de amor, de paz, de justiça, de verdade. Por isto, todos o amam. E o amor do povo, dos jovens, de todos aqueles que ainda não estão definitivamente contaminados, esclerosados, é, tenho a certeza, a recompensa e a glória de José Afonso. Nem tudo está podre no reino da Dinamarca.
Bernardo Santareno (Texto que acompanhou a 1ª edição)
Escritor

Se a canção de protesto pretende directa e concretamente atingir uma dada estrutura político-social num dado momento histórico com referência a factos, indivíduos e lugares, então eu não sou um cantor de protesto. De resto, as minhas canções são predominantemente líricas. Mas elas pretendem opor-se (quer as Iíricas quer as intencionais) a padrões de vida, gostos e predilecções vigentes entre nós. São a minha contrapartida, a minha revanche. Chamemos-Ihes canções de réplica. Reproduzem um meio, mas colaboram (ou pretendem colaborar) na sua reconstituição. Se, neste sentido, eu próprio as não considerasse uma forma de protesto não me sentiria justificado como cantor pela simples razão de não me sentir justificado como homem.

José Afonso em entrevista a José Armando Carvalho, in Comércio do Funchal, 01/06/1970
As sessões no estúdio começaram com o «Maria Faia» e com a delícia de trabalhar com uma máquina de 4 (quatro!) pistas. A abundância de meios técnicos, superiores aos que conhecíamos, foi inspiradora. Pude sobrepor várias faixas de guitarra, obtendo efeitos orquestrais que, na época, pareciam interessantes. As onze faixas foram gravadas sem sacrifício em várias sessões diurnas, ao longo de duas semanas ponteadas por passeios pela grande capital que parecia, então, tão diferente do nosso meio natal. Nos corredores alcatifados do hotel, o Zeca colocava a sua energia em demonstrações amigáveis de judo (modalidade que abraçara recentemente). Dos muitos amigos que apareciam no estúdio para ver o grande autor-intérprete, como já era reconhecido, recordo o brasileiro tropicalista Gilberto Gil, exilado pela ditadura. Esteve presente na gravação de «Verdes São os Campos» e a introdução de guitarra - inventada na hora - teve a sua aprovação. Terminado o trabalho e quando, já em Portugal, recebemos um exemplar do disco para avaliação, o Zeca reprovou-o por não gostar da mistura e deu instruções para esta ser feita de maneira diferente. Se havia (e havia) zonas em que o Zeca não fazia concessões, uma era de certeza a que dizia respeito ao ambiente musical das suas canções, especialmente se eram para colocar em disco.
Carlos Correia (Bóris)
Professor e músico

TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM
Qualquer semelhança entre a epígrafe sintetisadora da Amizade e «Uma Casa Portuguesa Com Certeza» é com certeza pura coincidência. O autor nunca se colocou, por falta de méritos próprios, no plano polemístico da hospitalidade lusitana, o que não o impede de abrir a porta a quem quer que venha por bem, excluídos, até prova em contrário, os amigos das bibliotecas alheias.

José Afonso, in «Cantares»
Somente em 1970, José Afonso assinará um contrato de trabalho com Arnaldo Trindade. Segundo o contracto firmado, que durou até 1981, o cantor passou a receber 10 contos mensais – mais tarde 15 e depois 18 –, em troca dos quais se comprometia a fazer um LP por ano, ficando o exclusivo das gravações para a empresa discográfica. Mais tarde, queixar-se-ia de lhe pagarem a mensalidade com um ano de atraso e lhe «surripiarem» os direitos de autor: quando o disco saía, recebia cerca de 70 contos e 10% das vendas caso o disco ultrapassasse os 10.000 exemplares vendidos, mas, segundo ele, essa soma «nunca foi declarada pelo Arnaldo Trindade».
Irene Pimentel
Historiadora
No texto de apresentação deste álbum, Bernardo Santareno realçava a "pureza" como "a nota maior" da arte de Zeca. Pureza é, de facto, a palavra exacta para definir este disco, um imenso poema de fraternidade a que não falta a raiva de quem se sabe cercado. Uma raiva que tem a sua expressão mais evidente nas interpretações de «Os eunucos» (cuidadosamente subintitulada No reino da Etiópia. numa tentativa de dar a volta às malhas apertadas da censura) e do soberbo e angustiante poema de Jorge de Sena, «Epígrafe para a arte de furtar». Gravado nos estúdios da Pye, em Londres, no ano de 1970, «Traz outro amigo também» não pôde contar com a participação de Rui Pato, entretanto mobilizado para a tropa e com o passaporte apreendido pela PIDE. Em seu lugar estão Carlos Correia (Bóris) e Filipe Colaço. As referências a África surgem, pela primeira vez, no trabalho de Zeca (em «Avenida de Angola» e «Carta a Miguel Djéje»), a par de temas como a emigração e o exílio («Canção do desterro»), de canções populares («Maria Faia» e «Moda do Entrudo») e de uma nova viagem pelos domínios camonianos («Verdes são os campos»). Incómodo e belíssimo, «Traz outro amigo também» assume-se como um disco de grande maturidade, através do qual, se dúvidas ainda restassem, se tornava claro que já tudo era diferente na música portuguesa. A prova, de resto, fora dada no ano anterior a este disco, durante um programa de televisão igualmente histórico, o 'Zip Zip'. Onde Zeca, curiosamente, nunca participou...
Viriato Teles
Jornalista