Rua Detrás da Guarda, 28, Setúbal

associacaojoseafonso@gmail.com

Cesto

Nenhum produto no carrinho.

LP/33rpm

Fura fura, 1979

ALINHAMENTO

01. Quanto é doce*
LETRA Popular
MÚSICA José Afonso

02. As sete mulheres do Minho*
LETRA Popular
MÚSICA José Afonso

03. O Cabral fugiu para Espanha*
LETRA Popular/Hélder Costa
MÚSICA José Afonso

04. De quem foi a traição*
LETRA Hélder Costa
MÚSICA José Afonso

05. Quem diz que é pela rainha*
LETRA Popular/José Afonso
MÚSICA José Afonso

06. Na Catedral de Lisboa*
LETRA Popular
MÚSICA José Afonso

07. Achegate a mim, Maruxa
LETRA Popular, Galiza
MÚSICA José Afonso

08. Senhora que o velho**
LETRA Nicolau Tolentino/José Afonso
MÚSICA José Afonso

09. De sal de linguagem feita
LETRA/MÚSICA José Afonso

10. Não é meu bem
LETRA/MÚSICA José Afonso

11. De não saber o que me espera
LETRA/MÚSICA José Afonso

12. Fura fura**
LETRA/MÚSICA José Afonso

*Temas musicados por José Afonso para a peça «Zé do Telhado», levada à cena pelo grupo de teatro A Barraca em 1978.
**Temas integrados na peça «Guerras do Alecrim e Manjerona», levada à cena pelo grupo de teatro A Comuna

 

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu STAT 095)
gravação

Estúdios Arnaldo Trindade
(entre Setembro e Outubro de 1978)
misturas
Jorge Mendes Barata, Júlio Pereira e José Mário Branco
arranjos e direcção musical
Júlio Pereira, José Afonso e Trovante
músicos 
Júlio Pereira, Trovante, António Chaínho, José Maria
Nóbrega, Naomi Anner, Carlos Zíngaro, Celso de Carvalho, Né Ladeiras, Artur Costa, Guilherme Inês, Tomás Pimentel, Rui Cardoso
(A voz no tema «O Cabral fugiu para Espanha» é da atriz Margarida Carpinteiro)
instrumentação
Guitarras, guitarra portuguesa, violino, baixo, bandolim, acordeão, viola braguesa, cavaquinho, trompete, flautas, violoncelo e percusões.

capa
Alberto Lopes

Foi graças a este disco (e ao tão substimado Histórias de Viajeiros, de Fausto, também de 1979) que os Trovante começaram a ganhar a força que necessitavam para sair do circuito mais ou menos fechado das actuações em comícios do PC, que até então frequentavam. O grupo de Baile no Bosque é, de facto, o grande suporte musical deste trabalho, evidenciando também o empenhamento de Zeca (notório, de resto, em todos os seus trabalhos) no apoio às novas gerações de músicos. Incluem-se, aqui, os temas que Zeca escreveu para a peça «Zé do Telhado», do Grupo de Teatro «A Barraca», e duas canções escritas para a «Guerra do Alecrim e Manjerona», da «Comuna». Com arranjos distribuídos por Júlio Pereira, Trovante e José Afonso, este álbum marca o regresso do cantor a algumas formas de expressão utilizadas nos seus primeiros álbuns, enriquecidas, no entanto, por toda a experiência adquirida, humana e artisticamente.
Viriato Teles
Jornalista

Parto da música para o texto.(...) Semeio palavras na música. Não tenho pretensões de dar a estas minhas deambulações pela música qualquer outro rótulo. Faço apenas canções. A canção insere-se sempre dentro de um processo. A sua eficácia depende do processo em que se insere. A sua importância depende da vastidão desse processo.

José Afonso
Estamos em 1977, o Boal dirigia «Ao quisto chegou!», espectáculo que ficaria memorável.
E um dia, diz-me: "Hélder, você tem de escrever essa história do Zé do Telhado".
Como se percebe eu não desistia de falar dessa figura lendária que me fascinava desde a infância. Tudo tinha começado por a minha mãe me mostrar um folheto de cordel que a família teria comprado numa das muitas feiras do Alentejo.
Aceitei o desafio, estudei o tempo da "grande " História, misturei-o com a "pequena" História dos pobres e deserdados e cheguei ao sonho de mostrar uma sociedade múltipla, irregular e em permanente transformação.
- E a música, Hélder?
- Boal, só pode ser o Zeca Afonso.
O Zeca andava triste. Uns rapazes dos jornais, bafejando o novo tempo de cobardia e desistência, deram em dizer que o José Afonso não prestava, os tempos eram outros, etc. E o pobre do Zeca, sério e sensível, levou essa malandragem a sério e foi-se abaixo.
- Não, Hélder, nem penses nisso. Não faço mais música. Chega.
- Bem, então eu não faço a peça.
- Não fazer o quê? Era o que faltava.
O Zeca saiu de Lisboa, foi para uma casinha que tinha em S. Francisco, perto de Grândola, e passado um mês:
- Olha lá, isto presta para alguma coisa?
- Olha Zeca, do mal o menos.
- Eh pá, se não presta não uses.
- Olha, é preciso mais umas canções.
- Então, Hélder, escreves numa folha o que queres na canção, para que é que serve, o estilo...
- O estilo?
- Porra pá, romântico, épico, sei lá...
E depois começou o fascinante e, para muito boa e seráfica gente, o incompreensível trabalho do Zeca como director musical.
Como se deve supor a anarquia e o absurdo reinavam.
- Oh Hélder, como é que era aquela música? - Lalala... não sei, pá! Não gravaste? Orlando, lembras-te daquela "para matar os Cabrais que são falsos à Nação"?
Canções, risota, o Zeca de vez em quando achava que não lhe apetecia (ele dizia, malandreco, que não sabia!), escrever uma determinada canção porque o tema:
- Oh pá, sabes como é, nem sempre o tema puxa por um gajo.
E então eu escrevi a canção da traição do Zé Pequeno e o acto cruelmente justiceiro do Zé do Telhado, e mais umas duas que o nosso artista se encarregou de transformar em pequenas obras primas da canção popular portuguesa.
Seguiam-se os ensaios, os apuramentos das vozes, o tempo apertava, o Zeca:
- Tenham calma, porra, isto não é fazer chouriços!
A Céu, o Mário, o Santos Manuel picavam-no, os mais novo espantavam-se com tanta criatividade e qualidade; e pouco a pouco, o Zeca, liberto de fantasmas e d e vómitos de mediocridade, renasceu para nossa alegria e contentamento.
E foi assim que o Zeca fez a extraordinária música do «Zé do Telhado».
Hélder Costa
Encenador