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EP/45rpm

Baladas de Coimbra, 1969

ALINHAMENTO

01. Canção vai… e vem…
LETRA Paulo Armando/Refrão popular Algarve
MÚSICA José Afonso

02. Selecção de Baladas*:
Os vampiros
Menino do bairro negro
Quadras
Instrumental
ARRANJO Rui Pato

03. As pombas
LETRA José Afonso
MÚSICA Luís Pignatelli

04. Canção longe
LETRA Popular Açores/José Afonso
MÚSICA José Afonso

* Tendo os temas «Os vampiros» e «Menino do Bairro Negro» sido proibidos pela Censura no EP com o mesmo título (EPF 5.218), de 1963, este EP integra um arranjo instrumental de Rui Pato desses mesmos temas. 

FICHA TÉCNICA

edição
Discos Rapsódia Lda. (EPF 5.437)
gravação
Mosteiro de S. Jorge de Milreu, Coimbra
músicos
Rui Pato
fotografia
Albano da Rocha Pato

Meu caro Pato, recebi o seu postal. Preciso que me diga com a máxima urgência quais as ofertas de gravações e condições propostas. Há mais de quinze dias que prossegue uma renhida luta de concorrência comercial em que me disputam a Alvorada, o Valentim e a Tecla. Deixei o caso a um sujeito muito amigo, tipo influente e com muita experiência que é uma espécie de procurador. Tenho estado à venda por preços que vão subindo à medida que a concorrência se acentua. (…)

Excerto de carta enviada por José Afonso a Albano da Rocha Pato, s/ data.
Os dois EP em que Rui Pato se apresenta a solo: «Rui Pato interpreta em viola José Afonso» (1964) e «Ilha nua» (1966)

O arranjo feito por Rui Pato  e intitulado «Selecção de Baladas» tinha já sido integrado no EP de 1964 «Rui Pato interpreta em viola José Afonso» (Rapsódia – EPF 5.241), ao qual se juntariam os temas «Canção Longe», «Pastor do Bem Safrim (Bensafrim)» e «Leanor».
A fotografia é de Eduardo Varela Pécurto, tirada em 1964 nos claustros da Igreja de Santa Cruz, em Coimbra.
Na contracapa deste EP, encontramos o seguinte texto de José Afonso:

“A viola, como instrumento destinado a acompanhar o cantor, foi perdendo nos nossos dias o papel subalterno que lhe destinavam os tradicionais conjuntos de guitarras.

Quer como factor de execução com a finalidade de indicar ou desenvolver uma tema musical adequado às suas características e recursos, quer interpretando, a par da voz humana, o papel de protagonista num diálogo que não admite interferência de outra qualidade expressiva, a sua autonomia exige da parte do ouvinte uma intimidade e uma discreção idêntica à que em tempos prendia o trovador ao seu auditório.

Estas canções, ditas e executadas pela viola de Rui Pato, pretendem restituir-vos a esse clima inicial de silêncio a que a sua sensibilidade, pouco afeita aos ritmos trepidantes da guitarra eléctrica, se foi de há muito habituando.

Pela delicadeza das suas interpretações, valorizadas por uma acertada combinação de acordes, oscilando em cadências sempre variadas num processo de construção melódica que incessantemente se renova – esses solos constituem uma experiência que, creio eu, agora se inicia no nosso panorama musical.”