Homenagem ao músico e poeta Zeca Afonso no museu de Vila Franca de Xira

O Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, encheu-se para ouvir falar de Zeca Afonso. Alípio de Freitas e José Mário Branco evocaram o homem que lutou contra o regime através da música e da poesia.

“O Zeca não só é intemporal, como é, acima de tudo, universal. É um músico e um poeta extraordinário em qualquer lugar e em qualquer tempo deste mundo”. Foi com estas palavras que Alípio de Freitas recordou o eterno amigo Zeca Afonso. Emoção e saudade foram dois dos sentimentos presentes durante toda a sessão de homenagem a José Afonso que decorreu domingo, 2 de Dezembro, no auditório do museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, e que contou com a presença dos amigos Alípio de Freitas e José Mário Branco. Os 96 lugares do auditório foram poucos para todas as pessoas que quiseram ouvir falar do músico português.

Alípio de Freitas contou, perante uma plateia atenta e entusiasmada, o episódio que o levou a conhecer o grande músico e poeta Zeca Afonso. Alípio de Freitas, natural de Trás-os-Montes, foi vigário e emigrou para o Brasil no final da década de 50 onde foi sacerdote e professor universitário.

Devido à sua actividade revolucionária esteve preso duas vezes. Soube-se em Portugal através de uma carta que Alípio de Freitas conseguiu contrabandear do presídio onde se encontrava que havia, nessa altura, dois portugueses presos no Brasil. Zeca Afonso teve conhecimento desta carta e compôs uma música à qual deu o nome de “Alípio de Freitas” como forma de homenagear o português que também lutava pela liberdade no país irmão. Quando lhe contaram da música que José Afonso tinha feito, o sacerdote que estava preso em Santa Cruz não conhecia o cantor nem o seu trabalho. “Era muito difícil a informação de Portugal chegar ao Brasil naqueles tempos e ninguém me sabia dar indicações sobre o Zeca”, explica.

Depois deste episódio a vontade de conhecer Zeca Afonso cresceu. Assim que regressou a Portugal, em 1980, Alípio foi apresentando ao cantor e, segundo o sacerdote, a empatia foi imediata. “Quando conheci o Zeca tive a sensação que já o conhecia há muitos anos e ele sentiu o mesmo. Por isso, costumo dizer que não conheci o Zeca mas sim, reencontrei-o”, afirma.

Também José Mário Branco, cantor intervencionista, trabalhou e privou com Zeca Afonso enquanto autor de arranjos dos discos do falecido músico. A relação com Zeca foi mais próxima depois da Revolução do 25 de Abril. Antes de 1974, José Mário Branco esteve exilado em Paris por ser contra o regime ditatorial. O cantor recorda que, durante a gravação dos discos de Zeca, houve apenas uma vez um pequeno desacordo entre ambos. “O Zeca não concordava com os arranjos musicais que eu tinha feito para a canção “Maio, maduro Maio”. Achava estranho e não tinha a certeza se iria funcionar com o público. Disse-lhe que a música ia ficar assim e que dali a dez anos conversávamos sobre o assunto. A música foi um sucesso e nunca mais falamos nisso até que, uma década depois, o Zeca veio ter comigo e deu-me razão”, recorda, divertido.

José Mário Branco lamenta não existir um único livro com as melodias e acordes do “mestre” para as gerações mais novas aprenderem como é que Zeca Afonso cantou e tocou as suas músicas. “É inadmissível que o livro não esteja à venda. Está feito há cerca de quatro anos mas não foi autorizado a ser publicado”, assegura.

Por: Ana Isabel Borrego | O Mirante

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