01 - Os
Vampiros
(José Afonso)
No
céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles
comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
A
toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas
São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
02 - Menino
d'Oiro
(José Afonso)
O
meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso
Que é pequenino
Não façam caso
Que é pequenino
O
meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo
No meu veleiro
Hei-de levá-lo
No meu veleiro
Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros
Do meu menino
Do meu menino
Do meu menino
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino
No meu trenó
Levo o menino
No meu trenó
Quantos
sonhos ligeiros
P’ra teu sossego
Menino avaro
Não tenhas medo
Menino avaro
Não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
Quero ir contigo
Menino d’oiro
Sou teu amigo
Menino d’oiro
Sou teu amigo
Venham
altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino
nasceu p’ra amar
Que o meu menino
nasceu p’ra amar
Venham
comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino
No meu trenó
Levo o menino
No meu trenó
O
meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso
Que é pequenino
Não façam caso
Que é pequenino
O
meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo
No meu veleiro
Hei-de levá-lo
No meu veleiro
Venham
altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino
nasceu p’ra amar
Que o meu menino
nasceu p’ra amar
03 - Canção
do Vai... e Vem
(José Afonso/Paulo Armando)
Em
rosa clara te vi
Rosa morta te deixei
Em rosa clara
algum dia te verei
Na
lua vinda te fiz
Lua finda te entreguei
Eras ela o que seria
saberei
Ai
amor amores
tenho eu mais dum cento
bonecas primores
cabeças de vento
cabeças
de vento
não as quero eu não
ai amor amores
do meu coração
Em
noite larga te ardi
madrugada te apaguei
num retorno que te viva
te amarei
Em
rosa clara te vi
Rosa morta te diexei
Em rosa clara
algum dia te verei
Ai
amores, amores
tenho eu mais dum cento
bonecas primores
cabeças de vento
cabeças
dde vento
não as quero eu não
ai
amor, amores
do meu coração
04 - Senhor
Poeta
(José Afonso/ Antº Barahona/Manuel Alegre)
Meu amor é
marinheiro,
E mora no alto mar,
Seus braços são como o vento,
Ninguém o pode amarrar.
Senhor poeta,
Vamos dançar,
Caem cometas,
No alto mar.
Cavalgam Zebras,
Voam duendes,
Atiram pedras,
Arrancam dentes.
Senhor poeta
Vamos dançar,
Caem cometas,
No alto mar.
Soltam as velas,
Vamos largar,
Caem cometas,
No alto mar.
05 - Tenho
Barcos, Tenho Remos
(José Afonso/popular)
Tenho
barcos, tenho remos
Tenho navios no mar
Tenho amor ali defronte
E não lhe posso chegar.
Tenho navios no mar
Tenho navios no mar
Tenho amor ali defronte
Não o posso consolar.
Tenho amor ali defronte
Não me posso consolar.
Já fui mar já fui navio
Já fui chalupa escaler
Já fui moço, já sou homem
Só me falta ser mulher.
Só
me falta ser mulher
Só me falta ser mulher
Já fui moço, já sou homem
Já fui chalupa escaler.
06
- Vira de Coimbra
(Arr. António Portugal)
Coimbra pra
ser Coimbra
Três coisas há-de contar
Guitarras, tricanas lindas,
Capas negras a adejar
Ó Portugal
trovador
Ó Portugal das cantigas
A dançar tua dás a roda
A roda com as raparigas
Fui encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei
Mondego que é da tua água
que é dos prantos que eu chorei.
07 - Menino
do Bairro Negro
(José Afonso)
Olha
o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira
os olhos do chão
Vem
ver a luz
Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
Negro
bairro Negro
Bairro
Negro
Onde
não há pão
Não
há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha
o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Se
até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti
Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha
o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver
o sol chegar
08
- As Pombas
(José Afonso)
Pombas
brancas
Que voam altas
Riscando as sombras
Das nuvens largas
Lá vão
Pombas que não voltam
Trazem dentro
Das asas prendas
Nas bicos rosas
Nuvens desfeitas
No mar
Pombas do meu cantar
Canto apenas
Lembranças várias
Vindas das sendas
Que ninguém sabe
Onde vão
Pombas que não voltam
09
- No Largo do Breu
(José Afonso)
No Lago do
Breu
Sem luzes no céu
Nem bom Deus
Que venha abrasar
Os ateus
No Lago do Breu.
No Lago do Breu
A noite não vem
Sem sinais
Que fazem tremer
Os mortais
No Lago do Breu.
Mas quem não for mau
Não vá
Que o céu não se compra
Dá
Não vejo razão
Pra ser
Quem teme e não quer
Viver
Sem luzes no céu
Só mesmo como eu
No Lago do Breu.
No Lago do Breu
Os dedos da noite
Vão juntos
Para amortalhar
Os defuntos
No Lago do Breu.
No Lago do Breu
A Lua nasce.
Mas ninguém
Pergunta quem vai
Ou quem vem
No Lago do Breu.
Mas quem não for mau
Não vá
Que o céu não se compra
Dá
Não vejo razão
Pra ser
Quem teme e não quer
Viver
Sem luzes no céu
Só mesmo como eu
No Lago do Breu.
No Lago do Breu
Meninas perdidas
Eu sei
Mas só nestas vidas
Me achei
No Lago do Breu.
Mas quem não for mau
Não vá
Que o céu não se compra
Dá
Não vejo razão
Pra ser
Quem teme e não quer
Viver
Sem luzes no céu
Só mesmo como eu
No Lago do Breu.
10 - Canção Longe
(Folclore açoriano - instrumental)
11 - Amor
de Estudante
(Arr. Machado Soares/Paradela de Oliveira)
Dizem que
amor de estudante
Ai, não dura mais que uma hora
Só o meu é tão velhinho
Inda se não for embora
A cabra da
velha torre
Ai, meu amor chama por mim
Quando um estudante morre
Os sinos tocam assim
12 - Balada
do Outono
(José Afonso)
Águas
passadas do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Águas
do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto d cantar
Rios
que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar