01 - Canção Longe
(Popular açoriana/José Afonso)

Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais

Quando o mê mano se foi
Sete lenços encharquei
mai la manga da camisa
e dizem que não chorei

Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar

02 - Os Bravos
(Popular açoriana/José Afonso)

Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem, para ver se embravecia
Cada vez fiquei mais manso
Bravo meu bem, para a tua companhia

Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem,com meu vestido vermelho
O que eu vi de lá mais bravo
Bravo meu bem, foi um mansinho coelho

As ondas do mar são brancas
Bravo meu bem,e no meio amarelas
Coitadinho de quem nasce
Bravo meu bem, para morrer no meio delas

03 - Balada Aleixo
(António Aleixo/José Afonso)

Quem canta por conta sua
Canta sempre com razão
Mais vale ser pardal na rua
Que rouxinhol na prisão

Adeus que me vou embora
Adeus que me quero ir
Deita cá esses teus olhos
Que me quero despedir

Com os cegos me confundo
Amor desde que te vi
Nada mais vejo no mundo
Quando não te vejo a ti

Adeus que me vou embora
Adeus que me quero ir
Deita cá esses teus olhos
Que me quero despedir

04 - Balada do Outono
(José Afonso - instrumental)

05 - Trovas Antigas
(Popular/ José Afonso)

O que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem

Quem se vai casar ao longe
Ao perto tendo com quem
Alva flor da laranjeira
Não a dará a ninguém

Olha a triste viuvinha
Que anda na roca a fiar
É bem feito, é bem feito
Que não tem com quem casar

No cimo daquela serra
Está um lenço de mil cores
Está dizendo viva, viva
Morra quem não tem amores

O que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem

Olha a triste viuvinha
Que anda na roca a fiar
É bem feito, é bem feito
Que não tem com quem casar

06 - Na Fonte Está Lianor
(Luis de Camões/ José Afonso)

Na Fonte Está Lianor
lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor

Nisto estava Lianor
o seu desejo enganando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor

O rosto sobre uma mão
Os olhos no chão pregados
Que de chorar já cansados
Algum descanso lhe dão

Na Fonte Está Lianor
lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor

07 - Minha Mãe
(José Afonso/ 1ª quadra popular)

Ó minha mãe minha mãe
Ó minha mãe minha amada
Quem tem uma mãe tem tudo
Quem não tem mãe não tem nada

Quem não tem mãe não tem nada
Quem a perde é pobrezinho
Ó minha mãe minha mãe
Onde estás que estou sózinho

Estou sózinho no mar largo
Sem medo à noite cerrada
Ó minha mãe minha mãe
Ó minha mãe minha amada

08 - Altos Castelos
(José Afonso)

Altos castelos de branco luar
Linda menina que vai casar
Torres cinzentas que dão para o vento
Dentro do meu pensamento

Eu lá na serra não sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela

Na praia nova caiu uma estrela
Moças trigueiras ide atrás dela
Rola rolinha garganta de prata
Canta-me uma serenata

Eu lá na serra não sou ninguém
Se fores prá guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela

Um cavalinho de crina na ponta
Leva à garupa uma bruxa tonta
Duas meninas a viram passar
Mesmo à beirinha do mar

09 - O Pastor de Bensafrim
(José Afonso)

Ó ventos do monte
Ó brisas do mar
A história que vou contar
Dum pastor Florival
Meu irmão de Bensafrim
Natural rezava assim

Passava ele os dias
No seu labutar
E os anos do seu folgar
Serras vai, serras vem
Seu cantar não tinha fim
O pastor cantava assim

Ó montes erguidos
Ó prados do mar em flor
Ó bosques antigos
Trajados de negra cor

Voa andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora
Vem, volta amanhã
Dizei amigos
Dizei só a mim
Todos só dum lado
Quem vos fez assim

Dizei-me mil prados
Campinas dizei
A história que não contei
Serras vai, serras vem
O seu mal não tinha fim
O pastor cantava assim

Ó montes erguidos
Ó prados do mar em flor
Ó bosques antigos
Trajados de negra cor

Voa andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora
Vem, volta amanhã
Dizei amigos
Dizei só a mim
Todos só dum lado
Quem vos fez assim

Seu bem que ele vira
Num rio a banhar
Ao vê-lo vir espreitar
Nunca mais apareceu
Ao pastor de Bensafrim
Sua dor chorava assim

Ó montes erguidos
(…)  

Quem vos pôs assim

10 - Canto da Primavera
(José Afonso - instrumental)

11 - Elegia
(Luís Andrade/ José Afonso)
 

O vento desfolha a tarde
O vento desfolha a tarde
Como a dor desfolha o peito
Como a dor desfoha o peito.  

Na roseira do meu peito
Na roseira do meu peito
Senhora meu bem fermosa
Senhora meu bem fermosa.

Vai-se a tarde ficam penas
Vai-se a tarde ficam penas
Na roseira do meu peito
Na roseira do meu peito.

Senhora por quem eu morro
Senhora por quem eu morro
Senhora meu bem fermosa
Senhora meu bem fermosa.

12 - Ronda dos Paisanos
(José Afonso)

Ao cair da madrugada
No quartel da guarda
Senhor general
Mande embora a sentinela
Mande embora e não lhe faça mal

Ao cair do nevoeiro
Senhor brigadeiro
Não seja papão
Mande embora a sentinela
Mande embora a sua posição

Ao cair do céu cinzento
Lá no regimento
Senhor coronel
Mande embora a sentinela
Mande embora e deixe o seu quartel

Ao cair da madrugada
Depois da noitada
Senhor capitão
Mande embora a sentinela
Mande embora o seu guarda-portão

Ao cair do sol nascente
Venha meu tenente
Deixe a prevenção
Mande embora a sentinela
Mande embora e tire o seu galão

Ao cair do frio vento
Primeiro sargento
Junte o pelotão
Mande embora a sentinela
Mande embora e cale o seu canhão

Ao cair do sol doirado
Venha meu soldado
Largue o seu punhal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal

Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal