Ó
meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais
Quando
o mê mano se foi
Sete lenços encharquei
mai la manga da camisa
e dizem que não chorei
Meu
amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar
02 - Os
Bravos
(Popular açoriana/José Afonso)
Eu fui à
terra do bravo
Bravo meu bem, para ver se embravecia
Cada vez fiquei mais manso
Bravo meu bem, para a tua companhia
Eu fui à
terra do bravo
Bravo meu bem,com meu vestido vermelho
O que eu vi de lá mais bravo
Bravo meu bem, foi um mansinho coelho
As ondas do
mar são brancas
Bravo meu bem,e no meio amarelas
Coitadinho de quem nasce
Bravo meu bem, para morrer no meio delas
03 - Balada
Aleixo
(António Aleixo/José Afonso)
Quem canta
por conta sua
Canta sempre com razão
Mais vale ser pardal na rua
Que rouxinhol na prisão
Adeus que
me vou embora
Adeus que me quero ir
Deita cá esses teus olhos
Que me quero despedir
Com os
cegos me confundo
Amor desde que te vi
Nada mais vejo no mundo
Quando não te vejo a ti
Adeus que
me vou embora
Adeus que me quero ir
Deita cá esses teus olhos
Que me quero despedir
04 - Balada
do Outono
(José Afonso - instrumental)
05 - Trovas
Antigas
(Popular/ José Afonso)
O
que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem
Quem
se vai casar ao longe
Ao perto tendo com quem
Alva flor da laranjeira
Não a dará a ninguém
Olha
a triste viuvinha
Que anda na roca a fiar
É bem feito, é bem feito
Que não tem com quem casar
No
cimo daquela serra
Está um lenço de mil cores
Está dizendo viva, viva
Morra quem não tem amores
O
que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem
Olha
a triste viuvinha
Que anda na roca a fiar
É bem feito, é bem feito
Que não tem com quem casar
06 - Na
Fonte Está Lianor
(Luis de Camões/ José Afonso)
Na Fonte
Está Lianor
lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
Nisto
estava Lianor
o seu desejo enganando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
O rosto
sobre uma mão
Os olhos no chão pregados
Que de chorar já cansados
Algum descanso lhe dão
Na Fonte
Está Lianor
lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
07 - Minha
Mãe
(José Afonso/ 1ª quadra popular)
Ó minha
mãe minha mãe
Ó minha mãe minha amada
Quem tem uma mãe tem tudo
Quem não tem mãe não tem nada
Quem não tem mãe não tem nada
Quem a perde é pobrezinho
Ó minha mãe minha mãe
Onde estás que estou sózinho
Estou sózinho no mar largo
Sem medo à noite cerrada
Ó minha mãe minha mãe
Ó minha mãe minha amada
08 - Altos Castelos
(José Afonso)
Altos
castelos de branco luar
Linda menina que vai casar
Torres cinzentas que dão para o vento
Dentro do meu pensamento
Eu
lá na serra não sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela
Na
praia nova caiu uma estrela
Moças trigueiras ide atrás dela
Rola rolinha garganta de prata
Canta-me uma serenata
Eu
lá na serra não sou ninguém
Se fores prá guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela
Um cavalinho de crina na ponta
Leva à garupa uma bruxa tonta
Duas meninas a viram passar
Mesmo à beirinha do mar
09 - O
Pastor de Bensafrim
(José Afonso)
Ó
ventos do monte
Ó brisas do mar
A história que vou contar
Dum pastor Florival
Meu irmão de Bensafrim
Natural rezava assim
Passava
ele os dias
No seu labutar
E os anos do seu folgar
Serras vai, serras vem
Seu cantar não tinha fim
O pastor cantava assim
Ó
montes erguidos
Ó prados do mar em flor
Ó bosques antigos
Trajados de negra cor
Voa andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora
Vem, volta amanhã
Dizei amigos
Dizei só a mim
Todos só dum lado
Quem vos fez assim
Dizei-me
mil prados
Campinas dizei
A história que não contei
Serras vai, serras vem
O seu mal não tinha fim
O pastor cantava assim
Ó
montes erguidos
Ó prados do mar em flor
Ó bosques antigos
Trajados de negra cor
Voa
andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora
Vem, volta amanhã
Dizei amigos
Dizei só a mim
Todos só dum lado
Quem vos fez assim
Seu
bem que ele vira
Num rio a banhar
Ao vê-lo vir espreitar
Nunca mais apareceu
Ao pastor de Bensafrim
Sua dor chorava assim
Ó
montes erguidos
(…)
Quem vos pôs assim
10 - Canto
da Primavera
(José Afonso - instrumental)
11 - Elegia
(Luís Andrade/ José Afonso)
O
vento desfolha a tarde
O vento desfolha a tarde
Como a dor desfolha o peito
Como a dor desfoha o peito.
Na
roseira do meu peito
Na roseira do meu peito
Senhora meu bem fermosa
Senhora meu bem fermosa.
Vai-se
a tarde ficam penas
Vai-se a tarde ficam penas
Na roseira do meu peito
Na roseira do meu peito.
Senhora
por quem eu morro
Senhora por quem eu morro
Senhora meu bem fermosa
Senhora meu bem fermosa.
12
- Ronda dos Paisanos
(José Afonso)
Ao
cair da madrugada
No quartel da guarda
Senhor general
Mande embora a sentinela
Mande embora e não lhe faça mal
Ao cair do nevoeiro
Senhor brigadeiro
Não seja papão
Mande embora a sentinela
Mande embora a sua posição
Ao cair do céu cinzento
Lá no regimento
Senhor coronel
Mande embora a sentinela
Mande embora e deixe o seu quartel
Ao cair da madrugada
Depois da noitada
Senhor capitão
Mande embora a sentinela
Mande embora o seu guarda-portão
Ao
cair do sol nascente
Venha meu tenente
Deixe a prevenção
Mande embora a sentinela
Mande embora e tire o seu galão
Ao cair do frio vento
Primeiro sargento
Junte o pelotão
Mande embora a sentinela
Mande embora e cale o seu canhão
Ao cair do sol doirado
Venha meu soldado
Largue o seu punhal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal