Bailemos
agora por Deus, ai velidas,
so aquestas avelaneiras frolidas
e quen fôr velida, como nós, velidas,
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
verrá bailar.
Bailemos agora por Deus, ai luadas
so aquestas avelaneiras grenadas
e quen fôr luada, como nós, luadas,
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras grenadas
verrá bailar.
Bailemos
agora por Deus, ai velidas,
so aquestas avelaneiras frolidas
e quen fôr velida, como nós, velidas,
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
verrá bailar.
Bailemos
nós já todas tres, ai irmañas,
so aqueste ramo d' estas avelañas
e quen fôr louçana, como nós, louçanas
se amigo amar,
so aqueste ramo d' estas avelanas
verrá bailar.
Por Deus, ai amigas, mentr' al non fazemos,
so aqueste ramo frolido bailemos
e quen ben parecer, como nós parecemos,
se amigo amar,
so aqueste ramo sol[o] que nós bailemos
verrá bailar.
02 - Oh!
Que Calma Vai Caindo
(Popular Malpica Beira-Baixa/José
Afonso)
Oh! Que
calma vai caindo
sobre las gentes do campo
meu amor que po lá anda
encosta-te ao lírio branco
Andando eu
a "ceifari"
nas ladeiras do "ponsuli"
não me venhas a "lembrari"
menina da saia "azuli"
A rola se
vai queixando
que lhe roubaram os ovos
naõ os puseras tu rola
tanto ao pé dos meus olhos
Por cima
ceifa-se o trigo
por baixo fica o restolho
menina não se enamore
de rapaz que embisga o olho
já se
está o sol a "pôri"
para trás do cabecinho
bem quisera o nosso amo
prendê-lo com um baracinho
03 - S.
Macaio
(Popular açoriana/José Afonso)
S. Macaio,
S. Macaio deu à costa
Ai deu á costa nos baixos da Urzelina
Toda a
gente, toda a gente se salvou
Ai se salvou, só morreu uma menina
S. Macaio,
S. Macaio deu à costa
Ai deu á costa naponta dos Mosteiros
Toda a
gente, toda a gente se salvou
Ai se salvou, só morreu dois passageiros
S. Macaio,
S. Macaio deu à costa
Ai deu á costa nas pedras da Fajazinha
Toda a
gente, toda a gente se salvou
Ai se salvou, só morreu uma galinha
S. Macaio,
S. Macaio deu à costa
Ai deu á costa nos baixos do Maranhão
Toda a
gente, toda a gente se salvou
Ai se salvou, só o S. Macaio não
04 - Qualquer
Dia
(F. Miguel Bernardes/ José Afonso)
No inverno
bato o queixo
sem mantas na manhã fria
No inverno bato o queixo
Qualquer dia
Qualquer dia
No Inverno
vou pôr lume
Lenha verde não ardia.
No inverno vou pôr lume
Qualquer dia
Qualquer dia
No Inverno
penso muito
Oh que coisas eu já via
No inverno penso muito
Qualquer dia
Qualquer dia
No Inverno
ganhei ódio
E juro que o não queria
No inverno ganhei ódio
Qualquer dia
Qualquer dia
05 - Vai,
Maria Vai
(José Afonso)
Vai, Maria
vai
Maria vai
A roupa branca lavar
Não
Sinhora não
Sinhora não
Sinhora não, Máriá
Vai, Maria
vai
Maria vai
A roupa branca enxugar
Não
Sinhora não
Sinhora não
Sinhora não, Máriá
Vai, Maria
vai
Maria vai
Maria vai trabalhar
Não
Sinhora não
Sinhora não
Sinhora não, Máriá
06 - Deus Te Salve, Rosa (
Popular Trás-os-montes/José
Afonso)
Deus
te salve, Rosa
lindo Serafim
Tão linda pastora
que fazes aí?
Que
fazes aqui,
no monte c'o gado?
Mas que quer, Senhor,
nasci pr'a este fado.
No
monte c'o gado,
corre grande p'rigo
Quer a menina
venir-se comigo?
Mas
não quero, não, não,
tão alto criado
de meias de seda
sapato delgado.
Sapatos
e meias
tudo romperei
por amor da menina
a vida darei.
Vá-se
ó magano
Não me cause mais ódio
Que há-dem vir meus amos
Trazer-me o almoço.
07 - Lá
Vai Jeremias
(José Afonso)
Lá
vai Jeremias
Lá vai Jeremão
Lá vai senhor alferes
Melhor capitão
Ó
Elvas, ó Elvas
Ó Penamacor
Neste regimento
Anda o meu amor
Além
mais abaixo
Se vende aguardente
A dez reis o copo
Para toda a gente
À
entrada de Elvas
Estão duas cadeiras
Para se assentarem
As moças solteira
Ai
que quebra, quebra
que se quebra o linho
Quebra a loiça toda
Fica o prato fino
Além
mais abaixo
Se vende licor
A dez reis o copo
Para o meu amor
08
- No Vale de Fuenteovejuna
(Lope de Vega/ José
Afonso)
No
vale de Fuenteovejuna
cabelos aos vento estava
seguida pelo cavaleiro
o da cruz de Calatrava
entre a ramada se esconde
de vergonhosa e turbada
-Para que te escondes
moça formosa
desejos são linces
paredes removem
Acercou-se o cavaleiro
e ela confusa e turbada
gelosias quis fazer
das ramas emaranhadas
mas como tem amores
as montanhas e os mares
atravessa facilmente
disse-lhe estas palavras
-Para que te escondes
moça formosa
desejos são linces
paredes removem
No vale de Fuenteovejuna
cabelos aos vento estava
seguida pelo cavaleiro
o da cruz de Calatrava
entre a ramada se esconde
de vergonhosa e turbada
Para
que te escondes
moça formosa
desejos são linces
paredes removem
09
- Era de Noite e Levaram
(Luís de Andrade/ José
Afonso)
Era
de noite e levaram
Era de noite e levaram
Quem nesta cama dormia
Nela dormia, nela dormia
Sua
boca amordaçaram
Sua boca amordaçaram
Com panos de seda fria
De seda fria, de seda fria
Era
de noite e roubaram
Era de noite e roubaram
O que na casa havia
na casa havia, na casa havia
Só
corpos negros ficaram
Só corpos negros ficaram
Dentro da casa vazia
casa vazia, casa vazia
Rosa
branca, rosa fria
Rosa branca, rosa fria
Na boca da madrugada
Da madrugada, da madrugada
Hei-de
plantar-te um dia
Hei-de plantar-te um dia
Sobre o meu peito queimada
Na
madrugada, na madrugada
10 - Já o Tempo se Habitua
(José Afonso)
Já
o tempo
Se habitua
A estar alerta
Não há luz
Que não resista
À noite cega
Já a rosa
Perde o cheiro
E a cor vermelha
Cai a flor
Da laranjeira
À cova incerta
Àgua mole
Àgua bendita
Fresca serra
Lava a língua
Lava a lama
Lava a guerra
Já o tempo
Se acostuma
À cova funda
Já tem cama
E sepultura
Toda a terra
Nem
o voo
Do milhano
Ao vento leste
Nem a rota
Da gaivota
Ao vento norte
Nem toda
A força do pano
Todo o ano
Quebra a proa
Do mais forte
Nem a morte
Já o mundo
Se não lembra
De cantigas
Tanta areia
Suja tanta
Erva daninha
A nenhuma
Porta aberta
Chega a lua
Cai a flor
Da laranjeira
À cova incerta
Nem
o voo
Do milhano
Ao vento leste
Nem a rota
da gaivota
ao vento norte
Nem toda
a força do pano
todo o ano
Quebra a proa
do mais forte
nem a morte
Entre as vilas
E as muralhas
Da moirama
Sobre a espiga
E sobre a palha
Que derrama
Sobre as ondas
Sobre a praia
Já o tempo
Perde a fala
E perde o riso
Perde o amor
11 - A Cidade
(José Carlos Ary dos Santos/José
Afonso)
A
cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.