01 - Saudades de Coimbra
(Mário Maria Fonseca/ Edmundo de Bettencourt)
Ó Coimbra do Mondego
e dos amores que eu lá tive
quem te não viu anda cego
quem te não ama não vive
Do Choupal até à Lapa
foi Coimbra meus amores
e sombra da minha capa
deu no chão abriu em flores
02 - Fado d'Anto
(António Nobre/ Francisco Menano)
A cabra
da velha Torre,
Meu amor, chama por mim;
Quando um estudante morre,
Os sinos chamam, assim.
Ó quem
me dera abraçar-te,
Junto ao peito assim, assim,
Levar-me a morte e levar-te
Toda abraçadinha a mim.
03 - Senhora do Almortão
(Popular Beira-Baixa)
Senhora do Almortão,
Oh, minha rosa encarnada,
Ao cimo do Alentejo
Chega a vossa nomeada...
Senhora do Almortão,
Ó minha linda raiana,
Virai costas a Castela,
Não queirais ser castelhana,
Não queirais ser castelhana,
ahhh...
Nossa Senhora da Póvoa,
Nossa Senhora da Póvoa...
Minha boquinha de riso,
Minha maçã camoesa,
Minha maçã camoesa...
Criada no paraíso,
Criada no paraíso...
Senhora do Almortão,
A vossa capela cheira,
Cheira a cravo, cheira a rosa,
Cheira a flor da laranjeira,
Cheira a flor da laranjeira.
Nossa Senhora da Póvoa,
Nossa Senhora da Póvoa...
Minha boquinha de riso,
Minha maçã camoesa,
Minha maçã camoesa...
Criada no paraíso,
Criada no paraíso.
04 - Mar alto
( Edmundo de Bettencourt/ Mário Maria Fonseca)
Fosse o meu destino o teu
Ó mar alto sem ter fundo
Viver bem perto do céu
Andar bem longe do mundo...
Antes as tuas tormentas
do que todas as revoltas
No céu azul que adormentas
A solução nunca volta
05
- Fado da sugestão
(Felisberto Ferreirinha)
Não
digas não dize sim,
Muito embora amor não sintas.
O não envenena a gente.
Dize sim, ainda que mintas.
Não
digas não dize sim,
Sê ao menos a primeira.
Falta-me embora a verdade,
Não sejas tão verdadeira
06 - Balada
do Outono
(José Afonso)
Águas
passadas do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Águas
do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto d cantar
Rios
que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
07
- Inquietação
(Edmundo de Bettencourt/ Alexandre Resende)
És linda, se foras feia
Mesmo assim eu te queria
Não é por ser lua cheia
Que a lua mais alumia.
Todo o bem que não se
alcança
Vive em nós morto de dor
Quem ama de amor não cansa
E se morrer é de amor.
08
- Fado dos olhos claros
(Edmundo de Bettencourt/ Mário Maria Fonseca)
A luz dos
teus olhos claros
É uma estrela a lucilar
Que eu ora vejo no céu
Ora nas ondas do mar
É o olhar da claridade
É o olhar do luar na água
Sagrado espelho onde vejo
A sombra da minha mágoa
9 - Vira de Coimbra
(Popular)
O amor do estudante
Não dura mais que uma hora
Só o meu é tão velhinho
Inda não se foi embora.
Coimbra pra ser Coimbra
Três coisas há-de contar
Guitarras, tricanas lindas,
Capas negras a adejar
Ó Portugal trovador
Ó Portugal das cantigas
A dançar tua dás a roda
A roda com as raparigas
Ó Portugal que mais queres
que mais podes desejar
Ai quem tem tão linda mulheres
o teu fado, o teu luar
10 - Crucificado
(Edmundo de Bettencourt/ Fortunato R. Fonseca)
Avé Marias são beijos...
Padre nossos são abraços
Rosário os meus desejos
A cruz é abrir-me os braços
De rezar beijos e abraços...
E desejo estou cansado
Abre depressa os teus braços
Quero ser crucificado