01 - Fado das águias
(José Afonso)

Ó águia que vais tão alta
Por essas serras além
Leva-me aos céus onde eu tenho
A alma da minha mãe

As lágrimas que eu chorei
Leva-mas porque são puras
São as preces que eu rezei
Com saudades e ternura

02 - Solitário
(António Menano)

Dizem que as mães querem mais
Ao filho que mais mal faz
Por isso te quero tanto
E tantas mágoas me dás

Perguntas-me o que é morrer
Meu amor, minha alegria
Morrer é passar um dia
Todo inteiro sem te ver

03 - O sol anda lá no céu
(Carlos Figueiredo)

O sol anda lá no céu
Tão contente atrás da lua
Também trago a minha alma
De castigo atrás da tua

Fui ao Mondego lavar
As penas das minhas mágoas
Minhas mágoas eram negras
Negras ficaram as águas

04 - Contos velhinhos
(Ângelo Araújo)
 

Contos velhinhos de amor
Numa noite branca e fria
Tantos tenho para contar

São pétalas duma flor
Desfolhadas ao luar

Contos velhinhos de amor
Numa noite branca e fria
Tantos tenho para contar

Contos velhinhos os meus
São contos iguais a tantos
Que tantos já nos contaram

São saudades de um adeus
De sonhos que já passaram

Contos velhinhos de amor
Numa noite branca e fria
Tantos tenho para contar

05 - Incerteza
(Tavares de Melo)

Não sei quem sejas que importa
Já trago a esperança perdida
Se és a luz que me alumia
Se és graça que me dás vida

Adeus palavra tão triste
Que a minha alma faz chorar
Adeus dizem os que partem
Sem esperança de voltar

06 - Mar largo
(Paulo de Sá)

Ó mar largo ó mar largo
Ó mar largo sem ter fundo
Mais vale andar no mar largo
Do que nas bocas do mundo

Fosse o meu destino o teu
Ó mar largo sem ter fundo
Viver bem perto do céu
Andar bem longe do mundo

07 - Aquela moça da aldeia
(António Menano)

Aquela moça da aldeia
Que eu conduzi ao altar
Há-de trazer-me à ideia
Desejos de eu ir rezar

Amei-te só de me olhares
O coração adivinha
Deus fez as almas aos pares
E da tua vida a minha

08 - Balada
(Popular açoriana)

Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais

Quando o mê mano se foi
Sete lenços encharquei
Mai la manga da camisa
E dizem que não chorei

Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar

9 - Menina dos olhos tristes
(Reinaldo Ferreira/ José Afonso)

Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar

10 - Canta Camarada
(Popular/José Afonso)

Canta camarada canta
canta que ninguém te afronta
que esta minha espada corta
dos copos até à ponta

Eu hei-de morrer de um tiro
Ou duma faca de ponta
Se hei-de morrer amanhã
morra hoje tanto conta

Tenho sina de morrer
na ponta de uma navalha
Toda a vida hei-de dizer
Morra o homem na batalha

Viva a malta e trema a terra
Aqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou