Cerimónia de atribuição do Prémio Liberpress no cemitério de Setúbal

Vinte e dois anos após a sua morte, o notável compositor foi homenageado, a título póstumo, com o prémio espanhol Memorial LiberPress, atribuído simbolicamente numa cerimónia que decorreu anteontem, junto à sua campa, no Cemitério da Nossa Senhora da Piedade, em Setúbal.
O prémio é atribuído desde o ano passado pela Asociacion LiberPress, com sede em Girona, Espanha, distinguindo a título póstumo uma personalidade que tenha lutado pela dignidade e os direitos humanos, e cujo percurso de vida possa servir de exemplo à sociedade.
Este ano, o homenageado foi José Afonso, conhecido pelas suas palavras de protesto e música de intervenção, numa cerimónia simbólica que teve lugar na sua singela campa, no Cemitério da Nossa Senhora da Piedade, em Setúbal.
A filha do cantor, Helena Afonso, agradeceu a presença de todos e o prémio atribuído, que revelou ser “um grande prazer”. “Sinto que é uma honra atribuída ao Zeca e é uma honra natural”, manifestou. Caracterizando-o como “um homem solidário”, Helena Afonso expôs que o seu pai via “o mundo como a nossa casa” e que, “cultivou amizades na Catalunha”, região onde está inserida a LiberPress. A filha mais velha do poeta mostrou-se confiante de que “ele ficaria muitíssimo contente, por saber que a sua obra, o seu legado significa qualquer coisa de universal e profundo”.
Na cerimónia, o presidente da LiberPress, Carles McCragh, justificou a atribuição daquela honra, alegando que “com as suas canções e poemas, [Zeca Afonso] fez com que o povo português tivesse um futuro melhor” e que “lutou por um mundo melhor”.
Dirigindo-se à memória do próprio cantor, explicou que aquele acto “pequeno e espontâneo” pretendia “lembrar aquilo que fizeste com a tua voz e vida, para que o mundo em que vivemos seja melhor. Agora só nos podes dar o teu belo silêncio, surgido para que a tua voz e a tua luta não sejam esquecidas”.
O prémio é representado por uma placa, onde se pode ler: “Que a tua voz a tua luta não sejam esquecidas!”. Esta placa vai ser colocada na Universidade de Aveiro, num espaço ajardinado, anexo a um edifício onde existe uma livraria e uma sala de espectáculos e exposições.
O local escolhido foi justificado por Manuel Assunção, vice-reitor da Universidade de Aveiro – cidade onde José Afonso nasceu. “Pareceu-nos fazer sentido pelo que a universidade representa, e vai ao encontro de alguma coisa que pode projectar no futuro”, revelou. O responsável adiantou ainda que a universidade tem duas tunas que “tocam músicas dele e revêem-se no que Zeca cantou, apesar de, muitos ainda nem serem nascidos quando ele morreu”.
Também presente na cerimónia, Adelino Gomes, jornalista e presidente da Assembleia Geral da Associação José Afonso, defendeu que “o silêncio magnifico de Zeca Afonso é diferente” dos restantes que jazem naquele cemitério, pois o seu, “continua a ser interpelador de todos nós e vale por mil discursos”. “Desta cidade, a força do seu silêncio, chegou à Catalunha e fez-nos receber a lição de que precisamos continuar a mesma luta, no sentido de manter o mesmo lugar”, concluiu.
Para a presidente da autarquia sadina, Maria das Dores Meira, “é significativo que este ano tenham distinguido este poeta popular, pelo seu testemunho impar”. A edil mostrou ainda que “é com orgulho que Setúbal e os setubalenses lembram este combatente da liberdade”, cujos “valores que soube transmitir por palavras, simples, mas fortes, fizeram dele um poeta, músico e cantor inolvidável”.
O acto simbólico contou ainda com a presença do presidente da Deputation de Girona, Enric Vilert; o presidente da Associação José Afonso, Francisco Fanhais; Leonel Coelho, da Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro, que leu uma reflexão de sua autoria, intitulada “Em Memória de Zeca Afonso”; e com vários amigos do cantor.
No final, todos cantaram a mais célebre canção do autor “Grândola Vila Morena”, que serviu como senha para os militares na Revolução de 25 de Abril de 1974.
O cantor e compositor José Afonso, nascido em Aveiro em 1929 e falecido em Setúbal, em 1987, ficou para sempre associado à música popular portuguesa e de intervenção contra a ditadura do Estado Novo.
Com carácter não-governamental, humanitário e sem fins lucrativos, a associação LiberPress foi criada em Girona, em 1999, para promover a cultura de solidariedade, e procura envolver os meios de comunicação social nesse movimento realizando conferências, debates, exposições e jornadas.
Criado em 2008, o prémio Memorial LiberPress foi então atribuído à jornalista e fotógrafa de guerra Gerda Taro, uma alemã de origem judia que morreu num acidente em 1937, perto de Madrid, durante a retirada das tropas republicanas, quando fazia a cobertura da Guerra Civil de Espanha.
Vera Gomes O Setubalense
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2 Comentários para “Cerimónia de atribuição do Prémio Liberpress no cemitério de Setúbal”

  1. Tuve la suerte de vivir el homenaje que tributó la asociación Liber Press de Catalunya a la memoria de nuestro admirado cantautor portugués José Afonso en el cementerio de Setubal el pasado 4 de Julio. Fue un acto entrañable y cargado sentimientos y emociones que no olvidaré jamás. La voz de nuestro querido Zeca sigue traspasando idiomas, mares y fronteras. Es universal y perdurable. Gracias a la AJA y a la ALP. Gracias también a la Cámara de Setubal. Siempre os tendré en mi memoria.
    ¡Salud, libertad y solidaridad siempre!
    Miguel Ángel Gómez Naharro
    http://www.youtube.com/watch?v=1mFjuVYWJ08

  2. CIKTRICSTRANSGENIKS

    FELICIDADES!!!!!! Zeca se merecía isto e muito mais.
    no noso blog Cicatrices Transgenicas a sua música é presente en muitos de nosos post.

    Beijos!!!!!

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