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José
Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em
Aveiro, filho de José Nepomuceno Afonso, juiz, e de Maria das Dores
Dantas Cerqueira, professora primária.
Em
1930 os pais foram para Angola, onde o pai tinha sido colocado como
delegado do Procurador da República em Silva Porto. José Afonso
permanece em Aveiro, na casa da Fonte das Cinco Bicas, por razões
de saúde, confiado à tia Gegé e ao tio Xico, um «republicano
anticlerical e anti-sidonista».
Por
insistência da mãe, em 1933 Zeca segue para Angola, com três anos
e meio, no vapor Mouzinho, acompanhado por um tio advogado em
lua-de-mel. Um missionário é a companhia de José Afonso que
permanece três anos em Angola, onde inicia os estudos da instrução
primária.
Em
1936 regressa a Aveiro, para casa de umas tias pelo lado materno.
Parte
em 1937 para Moçambique ao encontro dos pais, com quem vive
juntamente com os irmãos João e Mariazinha.
Regressa
a Portugal, em 1938, desta vez para casa do tio Filomeno, presidente
da Câmara Municipal de Belmonte. Aqui conclui a quarta classe. O
tio, salazarista convicto, fá-lo envergar a farda da Mocidade
Portuguesa.
Vai
para Coimbra em 1940 para prosseguir os estudos. É matriculado no
Liceu D. João III e instala-se em casa da tia Avrilete, tia paterna
que vivia à Av. Dias da Silva, actual nº112. No liceu
conhece António Portugal e Luiz Goes. A família parte de Moçambique
para Timor, onde o pai vai exercer as funções de juiz. Mariazinha
vai com eles, enquanto seu irmão João vem para Portugal. Com a
ocupação de Timor pelos Japoneses, José Afonso fica sem notícias
dos pais durante três anos, até ao final da II Guerra Mundial, em
1945.
Nesse
mesmo ano começa a cantar serenatas como «bicho», designação da
praxe de Coimbra para os estudantes liceais (José Afonso andava no
5.º ano do liceu). Era conhecido como «bicho-cantor», o que lhe
permitia não ser «rapado» pelas «trupes». Vida de boémia e
fados tradicionais de Coimbra.
De
1946 a 1948 completa o curso dos liceus, após dois chumbos. Conhece
Maria Amália de Oliveira, uma costureira de origem humilde, com
quem vem a casar em segredo, por oposição dos pais. Faz viagens
com o Orfeão e com a Tuna Académica. Joga futebol na Associação
Académica de Coimbra.
Em
1949, dispensado do exame de aptidão à Universidade, inscreve-se no primeiro ano do curso de Ciências Histórico-Filosóficas
da Faculdade de Letras. Vai a Angola e Moçambique integrado numa
comitiva do Orfeão Académico da Universidade de Coimbra.
Em
Janeiro de 1953 nasce-lhe o primeiro filho, José Manuel. Dá
explicações e faz revisão no Diário de Coimbra. São
editados os seus primeiros discos. Trata-se de dois discos de 78
rotações com fados de Coimbra, editados pela Alvorada, dos quais não
existem hoje exemplares. Os dois discos foram gravados no Emissor
Regional de Coimbra da Emissora Nacional.
De
1953 a 1955 cumpre, em Mafra, serviço militar obrigatório. Foi
mobilizado para Macau, mas livrou-se por motivos de saúde. Depois
é colocado num quartel em Coimbra. Tem grandes dificuldades económicas
para sustentar a família, como refere em carta enviada aos pais em
Moçambique. A crise conjugal é muito sentida. Após o serviço
militar, já com dois filhos, José Manuel e Helena (nascida em
1954), conclui em 1963 o curso na Faculdade de Letras de Coimbra com
11 valores com uma tese sobre Jean-Paul Sartre: «Implicações
substancialistas na filosofia sartriana».
Vai
dar aulas num colégio privado em Mangualde de 6 de Janeiro a 30 de
Setembro de 1957. Passa a, então, à cndição de estudante voluntário
da Universidade, inod com frequência a Coimbra, não só para fazer
exames na Faculdade de Letras, mas por continuar a ser bastante
solicitado para cantar em serenatas, espectáculos e digressões dos
organismos autónomos.
Inicia-se o
processo de separação e posterior divórcio de Amália (1 de Junho
de 1963). José Afonso manterá uma névoa de silêncio em redor
desta sua experiência conjugal.
Em
1956 é editado o seu primeiro EP, intitulado Fados de Coimbra.
De 28 de Outubro de 1957 a 22 de Julho de 1958 foi professor
provisório nas Escola Industrial e Comercial de Lagos.
Por
dificuldades económicas, em 1958 envia os dois filhos para Moçambique,
para junto dos avós. Neste ano fica impressionado com a campanha
eleitoral de Humberto Delgado. Digressão de um mês em Angola da
Tuna Académica. José Afonso é o vocalista do Conjunto Ligeiro. «Actuámos
vestidos com umas largas blusas de cetim, cada uma de sua cor,
imitando a orquestra de "mambos" de Perez Prado, o máximo
da altura», conta José Niza.
A 4 de Dezembro de 1957, José Afonso actua em Paris, no Teatro
"Champs Elysées" ao lado de Fernado Rolim, voz, António Portugal e
David Leandro nas guitarras de Coimbra e Sousa Rafael e Levy
Baptista nas violas.
De 7 de Outubro de 1958 a 18 de Julho de 1959 é professor provisório
nas Escola Industrial e Comercial de Faro.
Em
1959 começa a frequentar colectividades e a cantar regularmente em
meios populares.
Nos inícios do ano lectivo de 1959/60 é colocado por 10 dias num
colégio em Aljustrel, transitando depois para a Escola Técnica de
Alcobaça onde é professor provisório entre 3 de Outubro de 1959 e 30
de Julho de 1960.
Em
1960 é editado o quarto disco de José Afonso. Trata-se de um EP
para a Rapsódia, intitulado Balada do Outono.
Em Agosto faz nova digressão com o orfeão Académico de Coimbra a
Angola. Ainda em 1960 desloca-se a Paris e Genebra, onde grava com
Fernado Rolim, voz, António Portugal e David Leandro nas guitarras
de Coimbra e Sousa Rafael e Levy Baptista nas violas, onde naquela
cidade helvética grava uma serenata para a Eurovisão.
De
1961 a 1962 segue atentamente a crise estudantil deste último ano.
Convive em Faro com Luiza Neto Jorge, António Barahona, António
Ramos Rosa e Pité e namora com Zélia, natural da Fuzeta, que será
a sua segunda mulher.
Em
1962 é editado o álbum Coimbra Orfeon of Portugal, pela
Monitor, dos Estados Unidos, com «Minha Mãe» e «Balada Aleixo»,
onde José Afonso rompe definitivamente com o acompanhamento das
guitarras. Nestas duas baladas é acompanhado exclusivamente à
viola por José Niza e Durval Moreirinhas.
Realiza
digressões pela Suíça e Alemanha onde gravam para a televisão e Suécia
onde actua na Gala dos Reais Clubes Suecos, integrado num grupo de
fados e guitarras, na companhia de Adriano Correia de Oliveira, José
Niza, Jorge Godinho, Durval Moreirinhas e ainda da fadista lisboeta
Esmeralda Amoedo.
Em
1963 é editado outro EP de Baladas de Coimbra. Volta a ser
professor provisório nas mesma escola em Faro, de 19 de Outubro de
1962 a 31 de Julho de 1963.
Em
Maio de 1964, José Afonso actua na Sociedade Musical Fraternidade
Operária Grandolense, onde se inspira para fazer a canção «Grândola,
Vila Morena», que viria a ser no dia 25 de Abril de 1974 a senha do
Movimento das Forças Armadas (MFA) para o derrube do regime
ditatorial.
Nesse
mesmo ano é editado o EP Cantares de José Afonso, o único
para a Valentim de Carvalho.
Também
em 1964 é editado, pela Ofir, o álbum Baladas e Canções, que
virá a ser reeditado em CD pela EMI em 1996.
De
1964 a 1967, José Afonso encontra-se em Lourenço Marques com Zélia,
onde reencontra os seus dois filho. Nos últimos dois anos, dá
aulas na Beira. Aqui musicou Brecht na peça A Excepção e a
Regra. Em Moçambique nasce a sua filha Joana (1965).
Em
1967 regressa a Lisboa esgotado pelo sistema colonial. Deixa o filho
mais velho, José Manuel, confiado aos avós em Moçambique.
Colocado como professor em Setúbal, sofre uma grave crise de saúde
que o leva a ser internado durante 20 dias na Casa de Saúde de
Belas. Quando sai da clínica, tinha sido expulso do ensino oficial.
É publicado o livro Cantares de José Afonso, pela Nova
Realidade. O PCP convida-o a aderir ao partido, mas José Afonso
recusa invocando a sua condição de classe. Assina contrato discográfico
com a Orfeu, para quem grava mais de 70 por cento da sua obra.
Expulso
do ensino, em 1968 dedica-se a dar explicações e a cantar com mais
assiduidade nas colectividades da Margem Sul, onde é nítida a
influência do PCP. Pelo Natal, edita o álbum Cantares do
Andarilho, com Rui Pato, primeiro disco para a Orfeu. O contrato
é sui generis: contra o pagamento de uma mensalidade (15
contos), José Afonso é obrigado a gravar um álbum por ano.
Em
1969 a Primavera marcelista abre perspectivas de organização ao
movimento sindical. José Afonso participa activamente neste
movimento, assim como nas acções dos estudantes em Coimbra. Edita
o álbum Contos Velhos Rumos Novos e o single «Menina,
dos Olhos Tristes» que contém a canção popular «Canta Camarada».
Recebe o prémio da Casa da Imprensa para o melhor disco, distinção
que repete em 1970 e 1971. Pela primeira vez num disco de José
Afonso, aparecem outros instrumentos que não a viola ou a guitarra.
Trata-se do último álbum com Rui Pato. Nasce o último filho, o
quarto, Pedro.
Em
1970 é editado o álbum Traz Outro Amigo Também, gravado em
Londres, nos estúdios da Pye, o primeiro sem Rui Pato, impedido
pela PIDE de viajar. Carlos Correia (Bóris), antigo músico de rock,
dos Álamos e do Conjunto Universitário Hi-Fi, substitui Pato.
A 21 de Março, por unanimidade, a Casa de Imprensa atribui a José
Afonso o Prémio de Honra pela «alta qualidade da sua obra artística
como autor e intérprete e pela decisiva influência que exerce em
todo o movimento de renovação da música ligeira portuguesa».
Participa em Cuba num Festival Internacional de Música Popular.
Pelo
Natal de 1971, é lançado o álbum Cantigas do Maio, gravado
perto de Paris, nos estúdios de Herouville, um dos mais caros e
afamados da Europa. O álbum é geralmente considerado o melhor
disco de José Afonso. A editora Nova Realidade publica o livro
Cantar
de Novo.
No
ano de 1972 o álbum chama-se Eu Vou Ser Como a Toupeira, gravado
em Madrid, nos Estúdios Cellada, com a participação de Benedicto,
um cantor galego amigo de Zeca, e com o apoio dos Aguaviva, de
Manolo Diaz. O livro, editado pela Paisagem, tem apenas o título de
José Afonso.
Em
1973 José Afonso continua a sua «peregrinação», cantando um
pouco em todo o lado. Muitas sessões foram proibidas pela PIDE/DGS.
Em Abril é preso e fica 20 dias em Caxias até finais de Maio. Na
prisão política, escreve o poema «Era Um Redondo Vocábulo».
Pelo Natal, publica o álbum Venham Mais Cinco, gravado em
Paris, em que José Mário Branco volta a colaborar musicalmente. No
tema-título, participa Janine de Waleyne, solista dos Swingle
Singers, o melhor grupo vocal de jazz cantado da altura, na
opinião de José Niza. 
A
29 de Março de 1974, o Coliseu, em Lisboa, enche-se para ouvir José
Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Manuel
Freire, José Barata Moura, Fernando Tordo e outros, que terminam a
sessão com «Grândola, Vila Morena». Militares do MFA estão
entre a assistência e escolhem «Grândola» para senha da Revolução.
Um mês depois dá-se o 25 de Abril. No dia do espectáculo, a
censura avisara a Casa de Imprensa, organizadora do evento, de que
eram proibidas as representações de «Venham Mais Cinco», «Menina
dos Olhos Tristes», «A Morte Saiu à Rua» e «Gastão Era
Perfeito». Curiosamente, a «Grândola» era autorizada. É editado
o álbum Coro dos Tribunais, gravado em Londres,
novamente na Pye, com arranjos e direcção musical, pela primeira
vez, de Fausto. São incluídas as canções brechtianas compostas
em Moçambique no período entre 1964 e 1967, «Coro dos Tribunais»
e «Eu Marchava de Dia e de Noite (Canta o Comerciante)».
De
1974 a 1975 envolve-se directamento nos movimentos populares. O PREC
(Processo Revolucionário Em Curso) é a sua paixão. Cantou no dia
11 de Março de 1975 no RALIS para os soldados. Estabelece uma
colaboração estreita com o movimento revolucionário LUAR, através
do seu amigo Camilo Mortágua, dirigente da organização. A LUAR
edita o single «Viva o Poder Popular» com «Foi na Cidade
do Sado» no lado B. Em Itália, as organizações revolucionárias
Lotta Continua, Il Manifesto e Vanguardia Operaria editam o álbum República,
gravado em Roma a 30 de Setembro e 1 de Outubro, nos estúdios
das Santini Edizioni. As receitas do disco destinavam-se a apoiar a
Comissão de Trabalhadores do jornal República ou, caso o
jornal fosse extinto, como foi, o Secretariado Provisório das
Cooperativas Agrícolas de Alcoentre. Desconhecido em Portugal, o álbum
inclui «Para Não Dizer Que Não Falei de Flores» (Geraldo Vandré), «Se os Teus Olhos se Vendessem», «Foi no Sábado
Passado», «Canta Camarada», «Eu Hei-de Ir Colher Macela», «O Pão
Que Sobra à Riqueza», «Os Vampiros», «Senhora do Almortão»,
«Letra para Um Hino» e «Ladainha do Arcebispo». Francisco
Fanhais colaborou na gravação do disco, juntamente com músicos
italianos.
Em
1976 apoia a candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho,
cérebro do 25 de Abril e ex-comandante do COPCON (Comando
Operacional do Continente), apoio que reedita em 1980. Fase cronista
de José Afonso, que publica o álbum Com as Minhas Tamanquinhas.
O disco tem a surpreendente participação de Quim Barreiros. É, na
opinião de José Niza, «um disco de combate e de denúncia, um
grito de alma, um murro na mesa, sincero e exaltado, talvez
exagerado se ouvido e lido ao fim de 20 anos, isto é, hoje». É a
«ressaca» do PREC. 
O
álbum Enquanto Há Força, editado em 1978, de novo com
Fausto, representa mais um exemplo da fase cronista do cantor,
ligada às suas preocupações anti-colonistas e anti-imperialistas
e à sua crítica mordaz à Igreja. Inclui as participações, entre
outras, de Guilherme Inês, Carlos Zíngaro, Pedro Caldeira Cabral,
Rão Kyao, Luís Duarte, Adriano Correia de Oliveira e Sérgio
Godinho.
Em
1979 é editado o álbum Fura Fura, com a colaboração
musical de Júlio Pereira e dos Trovante. O disco inclui oito temas
de música para teatro, compostos para as peças Zé do Telhado, de
A Barraca, e Guerra do Alecrim e Manjerona, da Comuna. Actua
em Bruxelas no Festival da Contra-Eurovisão.
Em
1981, após dois anos de silêncio, regressa a Coimbra com o
seu álbum Fados de Coimbra e Outras Canções. Trata-se da
mais bela versão do fado de Coimbra, interpretada por Zeca Afonso
em homenagem a seu pai e a Edmundo Bettencourt, a quem o disco é
dedicado. Actua em Paris, no Théatre de la Ville.
Em
1982 começam a conhecer-se os primeiros sintomas da doença do
cantor, uma esclerose lateral amiotrófica. Trata-se, aparentemente,
de um vírus instalado na espinal medula que, de uma forma
progressiva, destrói o tecido muscular e, normalmente, conduz à
morte por asfixia. Actua em Brouges no Festival de Printemps.
Em
29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José
Afonso já em dificuldades. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio,
Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio
Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e
Janita Salomé. É publicado o duplo álbum Ao Vivo no Coliseu.
No
Natal desse ano, sai Como Se Fora Seu Filho, um testamento
político. Colaboração de Júlio Pereira, Janita Salomé, Fausto e
José Mário Branco. Alinhamento: «Papuça», «Utopia», «A Nau
de António Faria», «Canção da Paciência», «O País Vai de
Carrinho», «Canarinho», «Eu Dizia», «Canção do Medo», «Verdade
e Mentira» e «Altos Altentes». Algumas das canções foram
escritas para a peça Fernão Mentes? do grupo de teatro A
Barraca. Publicado o livro Textos e Canções, com a chancela
Assírio e Alvim. Contra a sua vontade, é publicado pelo Foto
Sonoro um maxi-single, Zeca em Coimbra, com um espectáculo
dado por Zeca no Jardim da Sereia, na Lusa Atenas, a 27 de Maio. A
cidade de Coimbra atribui a José Afonso a Medalha de Ouro da
cidade. «Obrigado Zeca, volta sempre, a casa é tua», disse-lhe o
presidente da Câmara, Mendes Silva. «Não quero converter-me numa
instituição, embora me sinta muito comovido e grato pela homenagem»,
respondeu José Afonso. O Presidente da República, general Ramalho
Eanes, atribui a José Afonso a Ordem da Liberdade, mas o cantor
recusa-se a preencher o formulário. Em 1994, o Presidente da República
Mário Soares tentou de novo condecorar, postumamente, José Afonso
com a Ordem da Liberdade, mas a mulher, Zélia, recusou, alegando
que se José Afonso não desejou a distinção em vida, também não
seria após a sua morte que seria condecorado.
Em
1983 José Afonso é reintegrado no ensino oficial, tendo sido
destacado para dar aulas de História e de Português na Escola
Preparatória de Azeitão. Tinha sido expulso em 1968. A doença,
agrava-se.
Em
1985 é editado o último álbum, Galinhas do Mato. José
Afonso já não consegue cantar todos os temas, sendo substituído
por Luís Represas («Agora»), Helena Vieira («Tu Gitana»,
Janita Salomé («Moda do Entrudo», «Tarkovsky» e «Alegria da
Criação»), José Mário Branco («Década de Salomé», em dueto
com Zeca), Né Ladeiras («Benditos») e Catarina e Marta Salomé («Galinhas
do Mato»). Arranjos musicais de Júlio Pereira e Fausto. Outras canções
do álbum: «Escandinávia Bar-Fuzeta» e «À Proa».
Em
1986 apoia a candidatura presidencial de Maria de Lourdes
Pintassilgo, católica progressista.
José
Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal,
às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica,
diagnosticada em 1982. O funeral realizou-se no dia seguinte, com
mais de 30 mil pessoas, da Escola Secundária de S. Julião para o
cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, onde a urna foi
depositada às 17h30 na sepultura 1606 do quadro 19. O funeral
demorou duas horas a percorrer 1300 metros. Envolvida por um pano
vermelho sem qualquer símbolo, como pedira, a urna foi
transportada, entre outros, por Sérgio Godinho, Júlio Pereira, José
Mário Branco, Luís Cília, Francisco Fanhais. A Transmédia editou
o triplo álbum, o primeiro da história discográfica portuguesa, Agora
e Sempre, duas semanas depois da morte do cantor. O triplo disco
é constituído pelos álbuns Como Se Fora Seu Filho (1983) e
Galinhas do Mato (1985) e por um alinhamento diferente de Ao
Vivo no Coliseu (1983). A 18 de Novembro é criada a Associação
José Afonso com o objectivo de ajudar a realizar as ideias do
compositor e intérprete no campo das Artes.
Cronologia
Autobiografia de José Afonso
Texto biográfico escrito por Benedicto Garcia Villar inserido na
"Gran Enciclopédia Galega"
Artigo "Os lugares de Zeca Afonso" de Ana Margarida de Carvalho |
Visão nº 729
"José Afonso,
génio da canção popular portuguesa" de Daniel Lacerda |
Latitudes, Nº 16

Aveiro 1929-1932
"Eu não
sei se isso de recordar o nascimento corresponde a um conteúdo repetido
dos sonhos (...). Agora que existe uma imagem persistente, uma luz muito
difusa (...), uma luz láctea, uma luz imanente, uma luz muito
vital (...) como se fosse um banho de leite que me mergulhasse a mim ou
que mergulhasse o Universo.
Uma larva branca. É a impressão que eu tenho."
1926
Revolução
militar de 28 de Maio. | Imposição da censura prévia
à imprensa. | Dissolução do Congresso da República. |
Extinção do Ensino Primário Superior (criado em
1919). | Promulgação das "Bases Orgânicas
da Administração Ultramarina".
1928
Salazar na
pasta das Finanças (até 1940). | General Carmona assume a
presidência da República.
"Eram
umas tias afáveis, (...). E tenho perfeitamente na cabeça
a imagem de lugares na casa: um pátio nas traseiras. (...).
Tomávamos café de cevada à noite..."
"Era uma cozinha enorme, com um fogão de ferro
alimentado a blocos de madeira... (...)".
1929
Salazar
acumula os Ministérios das Finanças, Colónias e Interior. |
Greves em vários pontos do país.
1930
Criação da
PVDE (Polícia da Vigilância e Defesa do Estado). | Criação
da União Nacional. | Acto Colonial.
1931
Revolta da
Madeira. | Espanha: implantação da República.

Angola 1932-1937
"Não
foi talvez, nem a minha infância em Portugal, nem a segunda
fase em África; foi a fase intermédia que foi a mais
marcante. (...). Foi a minha viagem no barco Mouzinho... Fui
entregue (...) a um primo muito conhecido em Luanda que ia
de lua de mel, (...) e que praticamente desapareceu...! E eu
transformei um sujeito que conheci a bordo numa espécie de
parente vitalício que foi um sacerdote a que eu chamava...
o homem das barbas... Missionário de certeza! (...). O
homem das barbas deve ter substituído integralmente as
minhas tias... Esse homem era quase para mim um
absoluto...".
"(...)
a África era uma coisa imensa, uma natureza inacessível
que não tinha fim, contactos com fenómenos da natureza
extremamente prepotentes como eram as grandes trovoadas, os
gafanhotos, florestas, travessias de rios em barcaças,
etc., etc. Estive também em Luanda onde creio que iniciei a
1ª classe".
1932
Salazar assume
a presidência do governo.
1933
Promulgação
da nova Constituição Política. | Criação do SPN |
(Secretariado da Propaganda Nacional).
Promulgação da Carta Orgânica do Império Colonial
Português e da Reforma Administrativa Ultramarina. |
Alemanha: Hitler nomeado chanceler do Reich.
1934
Greve geral
insurrecional (18.Jan.) | General Carmona reeleito
Presidente da República. | 1º Congresso da União
Nacional. | Proibição de todos os partidos políticos
e organizações secretas. Expulsão de 33 professores
universitários. | 1ª Exposição Colonial Portuguesa
(Porto).
1935
Tentativa
falhada de golpe contra a ditadura militar. | Criação da
FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho).
1936
Criação da
colónia penal do Tarrafal. Criação da Mocidade Portuguesa
e da Legião Portuguesa.
Criação da Junta Nacional de Educação.
Espanha: a Frente Popular vence as eleições.
Início da Guerra Civil (até 1939).

Lourenço Marques
1937-1938
"Aos
oito anos regresso a África. Agora é Moçambique, não é
Angola. Pouco tempo ali estou mas é de novo o paraíso.
Somos eu, o meu irmão e a minha irmã... Também nesse
tempo vamos com a família à África do Sul e vemos feras
em liberdade... Eu sonhava nunca mais abandonar aquela
terra".
1937
Atentado à
bomba contra Salazar. | Revolta dos Marinheiros. |
1ª Exposição Histórica da Ocupação Portuguesa no
Mundo. | 1º Congresso da História da Expansão Portuguesa
no Mundo. | Espanha: bombardeamento de Guernica (26
Abril).

Belmonte 1938-1940
"De
Moçambique vim para Belmonte onde um tio meu era Presidente
da Câmara, comandante da Legião!... Homem valsante;
gostava muito de valsar e de dançar o tango (...).
Uma
terra horrível. Um período fechado. Privado de contactos.
Eu não podia sequer dar-me com os meninos da vila. Fiz ali
a 4ª classe. (...) o pior ano da minha vida."
"Ouço
noites seguidas daquele meu quarto as notícias captadas
pelo meu tio que era de facto a ameaça germânica -
'Londres comme Cartago sera détruite!' ".
1939
Tratado de Não
Agressão e Amizade entre Portugal e Espanha. | Início
da 2ª Guerra Mundial.

Coimbra 1940-1955
"O
liceu é a dois passos... (...). Há lá uma ladeira e ao
cimo da ladeira era a casa da tia Avrilete, um segundo
andar. O ambiente era muito conservador: mulheres de escapulário
ao pescoço. Proibições... Por baixo vivia uma outra família
e por baixo ainda era a mercearia do Sr. Santos".
"Quando havia trovoada a minha tia dizia o magnificat
com voz de sibila, aliás, as três mulheres, (...) diziam
todas as três o magnificat em três pontos diferentes da
sala, cada uma no seu tom".
"(...)
tanto ia aos 'Cágados' onde comia ovos à uma da manhã,
como passava pelos 'Galifões' ou pelos 'Corsários das
Ilhas'. Os 'Cágados' ficavam perto da minha casa, quando
vivia no Beco da Carqueja. A parte de trás dava mesmo para
o Quebra Costas e para o Gil, (...). Também conheci muita
malta da 'Prá-quis-tão' e tive um convívio bastante
estreito com os tipos do ´Palácio da Loucura'. De um modo
geral convivi com a 'Ai-Ó-Linda' e dava-me muito com o Lobão
dos 'Corsários das Ilhas', (...)".
"Havia uma sociedade de indivíduos que viviam na Alta
ou na Baixa economicamente depauperados: barbeiros,
merceeiros, profissões dependentes do estudante. Recordo-me
que as criadas viviam num estado de fome permanente nas férias
grandes e começavam a comer quando os estudantes
regressavam. (...). Lembro-me do estatuto de estudante que
era, apesar de tudo, compatível com uma certa compreensão
humana da situação dessa gente. Esta visão sentimental do
que eram as desigualdades sociais motivou uma certa
transformação em mim. A visão poético-estudantil em que
eu me considerava um herói de capa e batina, um cavaleiro
andante, desapareceu ou foi desaparecendo com o tempo e à
medida que fui vivendo numa situação económica
extremamente difícil com os meus dois filhos no Beco da
Carqueja".

"Na
formatura era um infantilismo pegado. Cachaços uns aos
outros ao mesmo tempo que se dizia 'seu cagão'. Era uma
coisa indescritível. A mim pediram-me para sair da caserna
porque tinha pesadelos e berrava que nem um chibo".
"Eu fui o menos classificado de todo o curso por
falta de aprumo militar".
"A
minha acção como professor era mais de carácter
existencial, na medida em que queria pôr os alunos a
funcionar como pessoas, incutir-lhes um espírito crítico,
fazer com que exercitassem a sua imaginação à margem dos
programas oficiais".

Faro 1961-1964
"Percorri
algumas casas dos bairros limítrofes de Faro (...), os lugares mais
baratos (...). Fui parar à casa da D. Maria, situada numa rua um pouco
excêntrica e muito próxima do cais onde partem os barcos para a ilha..."
"Foi
uma fase de euforia extremamente gratificante e das coisas
mais felizes da minha vida. Escrevi na altura 'Tenho barcos
tenho remos', a propósito de um barco que utilizávamos.
Nesse 'Barco do Diabo' fazíamos viagens fantásticas ou
fantasmas (...) discutíamos pontos de vista vários. Tínhamos
a mania de andar a pé até Olhão, até Quarteira e ainda
mais longe."
"(...)
e então fiquei extremamente impressionado com a
colectividade: num local quase sem estruturas nenhumas com
uma biblioteca
de evidentes objectivos revolucionários, uma disciplina
generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava já uma grande consciência
e maturidade políticas".

Cidade da Beira 1965-1967
"Se
houve alguma coisa em África que me marcou definitivamente foi
a realidade colonial.
Quando eu parti ia preparado para enfrentá-la: sabia
quais os seus contornos e o papel que me cabia como
professor, quais os alunos que ia ensinar. Sabia também
que ia ser um veículo de transmissão ideológica de uma
classe dominante.
Sabia que tudo ia ser muito mais violento que tudo quanto
tinha experimentado até aqui.
Custou-me muitíssimo ir para África, mas hoje não estou
nada arrependido".
"Fiquei
terrivelmente ligado àquela realidade física que é a África,
aquilo tem de facto qualquer coisa de estranho, uma força
muito grande que nos seduz".
"O
meu baptismo político começa em África. Estava a dois
passos do oprimido".
1965
O General Humberto
Delgado é assassinado pela Pide.

Setúbal 1967-1979
"(...)
instalo-me em Setúbal e começo a ser convidado para as
colectividades da Margem Sul e mais tarde para as Associações
Académicas, para aqueles seminários que se faziam no Técnico.
Estudantes de Coimbra, indivíduos com grande maturidade e
conhecimentos políticos visitavam-me aqui no prédio
Estrela e passei a cantar nessas colectividades (...) Fui
convidado pelo Cine Clube do Barreiro (...), aqueceu (...),
a direcção foi presa e eu interrogado. Comecei a ser
chamado à Pide com uma relativa assiduidade, ao posto local
em Setúbal, até que finalmente fui corrido do ensino.
Sabia perfeitamente qual era a minha função e pela
primeira vez comecei a tomar contacto com o que mais tarde
se veio a chamar cantor militante político (...).
Vinha decidido a ser professor (...), trazia a angústia que
era a de não poder sobreviver (...)"
"Nunca
fui um indivíduo com certezas dogmáticas acerca de grupos
ou partidos preferenciais. Comecei por me relacionar,
sobretudo na Margem Sul, a associações de estudantes
fortemente politizadas, por um lado, e a determinadas
organizações políticas, como por exemplo os Católicos
Progressistas, por outro. Achava que todos aqueles grupos
eram necessários para formar um movimento que conduzisse ao
derrube do poder. Qual seria depois o partido ou organização
que surgiria após o derrube do poder, não sabia."
"(...)
multiplicaram-se então as minhas idas por vários locais,
reuniões com variadíssimos acidentes. Foi o célebre período
em que o meu nome não figurava em jornal nenhum, em que
embarcava sem saber se ia chegar ao destino, porque podia
ser, como fui, interceptado pela Pide."
"A
última vez que fui preso tinha ido esperar o meu pai ao
aeroporto. Vim para casa, dormi mal e no dia seguinte
bateram à porta. Estávamos em Abril de 1973. O meu
filho Zé Manel foi abrir. O inspector apresentou-lhe o
'crachat' da polícia e ele voltou-se displicentemente para
a sala a dizer 'oh pai é a prestimosa'. O tipo entrou,
fizeram a vasculhação e levaram-me para Caxias."
1967
Fundação da
LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária)
1968
Marcelo
Caetano sucede a Salazar. | Manifestações estudantis
no Porto e em Lisboa contra a guerra do Vietname.
Manifestação estudantil em Lisboa contra a guerra
colonial. | A Pide encerra o Instituto Superior Técnico. Em
Lisboa os estudantes decretam o "luto académico".
1969
Jornada de
luta política contra o regime. Grandes manifestações em
Lisboa e Porto. Movimentos grevistas. Crise académica. II
Congresso Republicano em Aveiro. Criação da CEUD (Comissão
Eleitoral de Unidade Democrática).
EUA: grandes manifestações pela retirada do Vietname. |
Primeira viagem do homem à Lua.
1970
Morre Salazar.
Manifestações de jovens em Lisboa contra a guerra
colonial. Criação da Inter-Sindical. Várias operações
da ARA (Acção Revolucionária Armada). | Chile:
Salvador Allende é eleito Presidente da República pelas
forças democráticas.
1971
Movimentos
grevistas. | Lutas e greves estudantis.
1972
Importantes
lutas e manifestações estudantis. | Início da
campanha por uma amnistia geral.
1973
Manifestações
e greves a nível nacional. Eleições para a Assembleia
Nacional. III Congresso da Oposição Democrática em
Aveiro. Encerramento da Faculdade de Letras de Lisboa depois
de vários incidentes em diversas associações de
estudantes. | Início do "Movimento dos Capitães" (reunião
num monte alentejano perto de Évora).
Amílcar Cabral, dirigente do PAIGC, é assassinado em
Conakry. Massacre de 400 civis em Wiriyamu, Moçambique. A
ONU condena a política africana portuguesa. | Chile:
golpe de Estado. O Presidente Salvador Allende é
assassinado. Junta militar de Pinochet.
1974
Novo surto
grevista abrangendo dezenas de milhar de trabalhadores.
Greve geral na Universidade de Lisboa contra a guerra
colonial. | Dá-se a Revolução do 25 de Abril. |
Criada a Junta de Salvação Nacional.
Libertação dos presos políticos (Caxias e Peniche).
Instituida a liberdade de criação dos partidos políticos.
General Spínola designado Presidente da República. |
A República da Guiné-Bissau é admitida como o 138º
membro das Nações Unidas. Assinatura do acordo de Argel:
governo português reconhece a independência da Guiné-Bissau.
Assinatura dos acordos de Lusaka: é reconhecido o direito
de Moçambique à independência e a transferência de
poderes para a FRELIMO.
1975
Constituição do Conselho da Revolução. | Eleições
para a Assembleia Constituinte. | Início da Reforma
Agrária. Ocupação de terras, constituição das primeiras
cooperativas e UCP's. | Nacionalizações. | Acordo de
Alvor: processo e calendário de acesso de Angola à
independência. | Proclamação da República Popular de
Cabo Verde. | Proclamação da independência da República
de São Tomé e Príncipe. | Indonésia invade Timor Leste
controlada pela Fretilin.| Espanha: morre o General Franco.
1976
Aprovação da Constituição. Ramalho Eanes eleito
Presidente da República. | Primeiras eleições autárquicas. |
1º governo constitucional. Mário Soares é escolhido como
primeiro-ministro.
1977
Lei Barreto. Lei das indemnizações. Entrega de terras das
UCP's a agrários. Congresso de todos os sindicatos. Greve
nacional de ensino superior.
1978
Aprovada na Assembleia da República a lei que define e pune
organizações de ideologia fascista. Mário Soares é
nomeado primeiro-ministro do II governo constitucional.
Primeira greve nacional da função pública desde 1926. Início
do julgamento do assassínio do general Humberto Delgado.

Azeitão 1979-1987
"Curioso
é que nós passamos 40 ou 50 anos de uma vida a fazer
determinadas coisas e um dia mais ou menos de repente, sem
que renunciemos a nada do que fizemos, apercebemo-nos de que
tudo deveria ter sido diferente.
É apenas uma vaga sensação que se instala, sem que
saibamos defini-la muito bem.
No fundo sou muito mais contraditório e supersticioso do
que quis admitir ao longo dos anos."
"Eu
sempre disse que a música é comprometida quando o músico,
como cidadão é um homem comprometido. Não é o produto saído
desse cantor que define o compromisso mas o conjunto de
circunstâncias que o envolve com o momento histórico e político
que se vive e as pessoas com quem ele priva e com quem ele
canta.
"Não
me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou
aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente
no que estava a fazer, e isso é o que fica. Quando
as pessoas param há como que um pacto implícito com o
inimigo, tanto no campo político como no campo estético e
cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a
nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos
para justificar a modorra e o abandono dos campos de
luta."
"
Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a
dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível.
Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão,
seja a que nível for."
1979
Dissolução da Assembleia da República. | Manifestações
em diversos pontos do país contra a política do governo
Mota Pinto. | Eleições intercalares. Lourdes Pintassilgo,
primeiro-ministro. Eleições autárquicas.
1980
Ramalho Eanes reeleito Presidente da República. Sá
Carneiro, primeiro-ministro.
1985
Eleições legislativas e autárquicas. Governo minoritário
do PSD, Cavaco Silva, primeiro-ministro.
1982
Aprovada na Assembleia da República a extinção do
Conselho da Revolução e a revisão constitucional. Greve
geral de 24 horas promovida pela CGTP contra o pacote
laboral (12.Fev.) e em protesto contra a repressão policial
(11.Maio).
1983
Dissolução da Assembleia da República. Eleições
antecipadas. Mário Soares, primeiro-ministro.
1984
Há 92 mil trabalhadores com salários em atraso, em 600
empresas.
1986
Portugal e Espanha entram na CEE. Eleições presidenciais:
Mário Soares, Presidente da República.
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