Associação José Afonso lamenta morte do artista plástico João Azevedo

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A Associação José Afonso lamenta profundamente o falecimento do nosso associado João Azevedo, artista plástico, detentor de uma técnica de desenho e pintura poderosos, tendo por base cores fortes e magnéticas que definiam ambientes de variadas culturas e marcavam fortemente o seu estilo.

João Azevedo conheceu José Afonso, em Itália, quando ele e Francisco Fanhais aí estiveram para gravar o disco República. João Azevedo viria a escrever, posteriormente, um texto de apresentação do disco, tendo em vista a sua reedição, que devido a várias vicissitudes ainda não aconteceu. Foi nessa altura que José Afonso o convidou para fazer as ilustrações do disco “Com as minhas tamanquinhas”, disco esse pelo qual Zeca nutria um apreço muito íntimo, dado o seu especial pendor interventivo e de protesto. Deste contacto nasceu entre ambos uma relação de amizade, identificação e de luta pelos mesmos objectivos.

Para além desta colaboração, João Azevedo realizou Exposições de pintura no Núcleo de Lisboa da AJA: uma em 2015 denominada “Com as minhas tamanquinhas”, variações à volta dos pássaros míticos e crocodilos; outra em 2018, pelo 6º aniversário do Núcleo sob o tema “Refugiados/atravessamentos” cujo mote foi dado pelos acontecimentos trágicos no Mediterrâneo, na Ásia e nas fronteiras terrestres da Europa.

João Azevedo durante a vida realizou variadíssimas exposições a nível internacional e nacional. Neste âmbito, salienta-se uma exposição na Casa da Cultura, promovida pela Câmara Municipal de Setúbal, em 2019, sob o título “Ó Zeca canta para o povo!”. Dessa última exposição, quatro quadros estão ainda hoje patentes na parede principal da sede da AJA Lisboa.

Participou também numa evocação de Zeca na “Conversa de amigos”, com José Santa-Bárbara e Josefina Carvalho.

João de Azevedo era o autor de todas as capas das agendas da Associação SOS Racismo, cuja capa de 2020 o autor dedicou aos “genocídios modernos e atuais”, mais uma vez reveladoras do cidadão do mundo atento que transportava o seu envolvimento, solidariedade e até uma ironia pungente.

Dos muitos trabalhos realizados salienta-se ainda a ilustração do livro “Táxi”, de Fernando Cabral Martins. A obra, um conjunto de contos metafísicos sobre a vida num táxi, foi o mote para a conversa que o artista plástico e o escritor tiveram, em Agosto de 2019, no Espaço Ilustração, na Casa da Cultura de Setúbal.

João Azevedo nasceu em 1950, na Figueira da Foz e daí partiu para o mundo que habitou e observou, qual andarilho na senda do Zeca. Viveu em Itália, Holanda, Moçambique, Níger, Timor, onde trabalhou como consultor nacional e internacional, para a Comissão Europeia e para a Organização das Nações Unidas, como perito de cooperativas e de avaliação.

Como já se disse, acima, essas suas muitas paragens sempre foram fonte inspiradora dos seus trabalhos que exprimiam uma constante interpelação e inquietação do homem perante o mundo.

Estava no Senegal quando a morte também o interpelou. Morreu um mês depois, em Lisboa, no dia 25 de Abril de 2020.

GMP

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