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  • 100 Anos de José Afonso
August 2006
Home 2006 August
Homenagens e tributos (2006)
31/08/2006By AJA

O tributo a José Afonso e outros concertos no Espaço Ribeira

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Homenagens e tributos (2007)
28/08/2006By AJA

Noite de tributo a Zeca Afonso em Lisboa



Na noite de 9 de Setembro, no Bar Café do Mercado da Ribeira, lembramos o Zeca e as suas canções. O compositor e escritor Andrés Stagnaro é o nosso convidado especial….

O bar café do Mercado da Ribeira recebe, na noite de 9 de Setembro o compositor e escritor uruguaio Andés Stagnaro, que nos dará a conhecer o seu albúm “Las canciones de José Afonso”.

Para homenagear o Zeca contamos também com a actuação de alguns musicos residentes deste bar.

Contamos consigo a partir das 22h30.
Reserve a sua mesa através do 210 312 600 / 01 ou 210 312 605.

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Testemunhos
28/08/2006By AJA

“Zeca Afonso ou o ódio idolatrado”. Texto de 23.08.06 retirado do blog – http://combustoes.blogspot.com/

Aquela voz fanhosa, embargada pela raiva – um ódio que se desprendia a cada palavra – nunca foi do meu agrado. Incomodava-me o tom, o conteúdo e a vaidade mal dissimulada de José Afonso. O baladismo – o da esquerda, como o pouco de direita que por aí se ensaiou – nunca fez o meu cup of tea. Vulgar, “intervencionista”, manipulador de afectos e reacções primárias, ersatz da verdadeira arte – que se quer inútil – está para a música como o neo-realejo para a literatura, a publicidade para a fotografia, os retratos de rua para a pintura, os bordados para as belas-artes. Julgo, até, que os baladeiros, não fosse o baladismo, nunca seriam músicos reconhecidos pelos colegas de ofício. Foi uma geração de protestarismo fácil que se impôs de fora da música, que se profissionalizou, coleccionou fama e proveito e nada deixou. Servirá, quando muito, de retrato de uma época em que uma guitarra e uns poemecos carregados de baias e lugares-comuns faziam as delícias de um povo mal-informado, sem referências e prenhe de utopias. Alguns baladeiros por aí continuam como se o tempo não tivesse passado: os irmãos Salomé, o rotundíssimo Tordo, o Sérgio Godinho, o repetidíssimo Manuel Freire – quantos milhões de vezes já cantou a maldita Pedra Filosofal do Gedeão ? – e o vestusto Mário Branco. Reconheço que houve excepções nesta geração de improviso: Adriano Correia de Oliveira, uma bela voz munida de impressionante aparato poético e, no registo afadistado, o grande Carlos do Carmo.
No passado fim de semana, a RTP exibiu um verdadeiro show de totalitarismo revivaleiro. Zeca Afonso divinizado, exaltado e tido como um “génio”, deu azo a uma torrente de cançonetas de incontinente pendor marxista terceiro-mundista. As palavras sempre as mesmas (solidário, inquietação, amigo, companheiro, Maio, ceifeira), o ritmo puxando ao falso-rústico das “raízes” – outra palavra detestável – e a finalidade escancarada: tornar aceitável o abjecto (roubar, sanear, vingar, matar) e abrir portas ao totalitarismo comunista, tornando-o justificável à luz da rábula cantada. Zeca Afonso tinha um ar perturbado, queria mais, mais revolução, mais plano inclinado, mais ocupações, mais saneamentos, mais controlo operário, mais comissões de bairro – aquelas que faziam listagens com as pratas, os quadros e os aquecedores existentes nas casa dos inimigos de classe – mais poder popular, mais armas em boas mãos para defender a revolução; ou seja, mais balbúrdia que pedisse, no fim, mais um Estaline. Aquilo é Babeuf, Marat, a Comuna de Paris, a propaganda pelo facto do bombismo anarquista, mais comunalismo utópico em que entram as CEB’s (Comunidade Eclesiais de Base), as Comissões de Ocupação de herdades (as célebres “comprativas”), os padres Max de gola alta e barbas à Sierra Maestra, a Teologia da Libertação, as mulheres-padres, os poetas repentistas e analfabetos (quantas vezes tivemos de engolir o banalíssimo Aleixo ?), o new-age dos alucinogénios e de outros estados de consciência alterados, o abortismo dá-cá-aquela-palha; sei lá, um sem-número de coisas sem mérito elevadas nos pedestais no culto do mau. Sintomaticamente, o programa terminou com uma discursata do inefável “Zeca”: “a minha democracia não é a dos votos, mas a do poder do povo”. Pois. Uma democracia da rua, de tiros na nuca, prisões arbitrárias, campos de concentração, reeducações e penúria para todos. Uma democracia sem eleições, sem debate, sem opinião pública. Uma democracia com censura, com estribilhos, pinchagens e lavagens ao cérebro. É o que me indigna em tudo isto. Como se pode dourar aquilo que viola a democracia, a liberdade e a dignidade humana ? Como podemos abrir portas ao mundo que nos cerca se nos mantemos barricados nas superstições, ódios e quimeras que levaram à morte de tantos mihões, a tanta tragédia humana e tanta fome ? Só quando essa geração sair de cena poderemos, finalmente, aspirar à Europa.

Miguel Castelo Branco

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BiografiaFotografia
28/08/2006By AJA

José Afonso com 21 anos

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Homenagens e tributos (2007)
25/08/2006By AJA

Fotos de Vila Real de Santo António





Aqui ficam algumas fotos da homenagem a José Afonso em Vila Real de Santo António.
Em cima, as fotos da conferência com Alípio de Freitas, José Luis Louro, Teodomiro Cabrita Neto e António João.
Mais abaixo, o cartaz anunciando a exposição sobre a vida e obra de José Afonso no Arquivo Histórico Municipal.

Em breve, colocaremos mais fotos deste evento que se revelou um enorme sucesso, nomeadamente, no concerto do último dia que esgotou o Centro Cultural António Aleixo.

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Fotografia
08/08/2006By AJA

Valência, Abril de 1971

Foto tirada no II FESTIVAL DE LA CANCIÓN IBÉRICA (da esquerda para a direita):
Carlos Correia (Bóris), Zeca Afonso, Miro Casabella, Carlos Carlsen, Poni Micharvegas, Paco Ibañez, María del Mar Bonet. De costas as jornalistas Tina Blanco e Mercedes Arancibia.

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Testemunhos
08/08/2006By AJA

Entre o Porto e Coimbra – O Zeca Afonso que eu conheci

Foi durante um ensaio do grupo de serenatas do Orfeão Universitário do Porto que, pela primeira vez, ouvi esse nome pronunciado, com contagiante entusiasmo, por Roxo Leão, um tocador afamado de viola, que tinha vindo para a Faculdade de Farmácia do Porto completar a licenciatura iniciada em Coimbra. A falta da fase terminal do curso de farmácia e de engenharia na Universidade da cidade do Mondego tornava obrigatória a migração de grupos significativos de estudantes que, todos os anos, se transferiam para o Porto, onde vinham frequentar as últimas cadeiras das respectivas licenciaturas. Com estas revoadas de estudantes transferia-se, também, o influente ambiente estudantil coimbrão, culturalmente muito enriquecedor para os universitários portuenses que, assim, recebiam uma infusão de multidisciplinaridade que os cursos eminentemente técnicos ministrados no Porto e o estilo de vida que aqui se adoptava não propiciava.

O Roxo Leão era um daqueles conhecedores certificados do fado de Coimbra e um animador entusiasta da academia portuense, em tudo o que ao fado coimbrão dissesse respeito. Nessa mesma sessão de uma noite de Novembro de 1953, tomaram parte o José Vitorino Santana, que era o mais consistente fadista da nossa Academia, o Barroso, outro estudante de farmácia com carimbo de Coimbra, ele, também, um excelente tocador de viola, e os dois guitarras, o Carlos Couceiro, um executante seguro vindo, também, da cidade do Mondego para acabar no Porto a licenciatura em engenharia, e o Leonel, quartanista de Medicina, segundo guitarra e único elemento daquela tertúlia, genuinamente nortenho. No fim dos primeiros testes, em que a timidez natural de um principiante já tinha conseguido dissipar a expectativa densa que a circunstância exigente criara, todos concordaram em que eu deveria cantar os mesmos fados que o Zeca, porque, segundo as suas esclarecidas opiniões, a minha voz tinha uma estrutura musical parecida e os estilos interpretativos assemelhavam-se. Caloiro, obedeci, longe de saber o que é que esse veredicto, estando certo, significava de Iisongeiro. Contudo, e apesar de, então, essa semelhança me dizer pouco, a comparação ficou a fazer parte do meu consciente passivo, ligando-me, sentimentalmente, a esse nome que haveria de vir a ser, artisticamente, tão honrado. Passei a prestar maior atenção às canções que ele então interpretava e de que sobressaíam o fado «Incerteza», o «Contos velhinhos», o «Águia que vais tão alta», o «Meu menino é d’oiro», entre outros, e confesso o encantamento criado pela sua voz trémula e quente, que era, também, fruto do seu espírito original e sensível, voz que ora se arrastava numa dolorosa queixa, ora se erguia num grito de rebeldia e de protesto. O Zé Afonso, como outros preferiam chamar-lhe, era, sem dúvida, um estudante que cantava um fado novo que Coimbra nunca tinha ouvido.

Mas o Zé Afonso era, vi-o, depois, muito mais do que isso. Pessoalmente, encontrei esse quase-sósia canoro numa tarde de Agosto de 1956, a bordo do «Vera Cruz», a caminho de Angola. Ele viajava integrado à sua maneira (o Zeca nunca se integrou em nada) na Tuna Académica de Coimbra e o seu destino era navegar à roda da África para animar um vasto mundo de gente rica e culta que tinha decidido alugar o «Vera Cruz» para um périplo de África; eu viajava integrado no Orfeão Universitário do Porto, que seguia para Angola como agente de uma festa académica que tinha como missão apertar os nós dos laços de uma identidade lusotropical que se desejava duradoira. Cada grupo possuía a sua equipa de serenatas: a nossa era constituída pelo Rosa Araújo e o Costa Leite (guitarristas), o Hermenegildo Tavares e o Quartim Graça (violas); eram cantores o José Vitorino Santana, o Gameiro e eu. Do lado de Coimbra seguiam o Fernando Xavier e o Júlio Ribeiro (guitarristas), o Manuel Pepe e o Levi Baptista (violas); os cantores eram o Zeca Afonso e o Fernando Machado. Esse encontro fecundou uma amizade que estava destinada a crescer e que sem sobressaltos de percurso veio a ser muito grande e sincera.

Numa tarde de Agosto, quente, apesar de ser de cacimbo o tempo do calendário, o «Vera Cruz» deixou-nos no Lobito e seguiu a sua viagem, à roda do continente africano, levando consigo a «malta» de Coimbra.

Vivíamos nós, por essa altura, numa espécie de república, um vasto espaço de três quartos, uma sala e uma cozinha, num terceiro andar no Campo dos Mártires da Pátria (n.º 135), sob a vigilância aflita mas benevolente de uma velhinha, a Sr.ª D. Aninhas. Eram sete os habitantes regulares desses aposentos, mas alturas havia em que o número de comensais chegava a duplicar. Depois da viagem a Angola, um dos frequentadores desse lar aberto era o Zeca. Sempre que as deslocações da Tuna ou do Orfeão Académico de Coimbra, os seus afazeres pessoais ou qualquer decisão repentista, disparada pela sua irrequietude sentimental, o traziam ao norte, lá o tínhamos connosco, com toda a Fantasia do seu ser poético e a rebeldia do seu idealismo descomprometido. Uma das vezes (em vésperas das férias grandes de 1958), a sessão artística da Tuna ia ser no Rivoli. O Zeca apareceu, como de costume e por uma das razões de sempre. Tinha vindo «à boleia», ia cantar, estava à futrica e tinha umas horas para pôr a conversa em dia. Comeu connosco, cantarolou os fados que tencionava interpretar nessa noite — e que o Costa Leite e eu acompanhámos à guitarra —, enfiou a minha capa e batina, completando, assim, o ritual e lá descemos os dois a Rua dos Clérigos, a caminho do Teatro. Ao passarmos em frente da Igreja dos Congregados, num súbito arrebatamento, parou, fitou-me com o ar concentrado que a testa franzida denunciava — era assim sempre que falava a sério — e atirou-me a seguinte proposta: «— Oh pá (ele usava esta abreviatura quando ela era ainda erudita, tu tocas guitarra, eu toco viola e cantamos ambos. Vamos os dois fazer férias por essa Europa fora, como artistas vadios?» Sorri, creio que candidamente, para quebrar com ternura o ímpeto do seu entusiasmo.

Na verdade, não era fácil recusar tão espontânea, sincera e amiga sugestão; mas a minha vocação de aventura tinha asas mais curtas e, além disso, tinha duas cadeiras do meu quinto ano para fazer em Outubro; e as férias iam ser pequenas para pôr o estudo em dia. Sanado este breve desencontro, retomamos a marcha rumo ao Rivoli.

Este nomadismo, que era nele genómico, era uma das facetas que tornava visível a irrequietude do seu espírito! Mas foi, sobretudo, em Coimbra que convivemos e nos conhecemos melhor e que a nossa amizade cresceu e se radicou. O Zeca era, na verdade, uma criatura rara, de uma enorme originalidade: inteligente, culto, criativo e, ao mesmo tempo, bondoso e decifrável, era muito fácil gostar-se dele. Sempre que nos fins-de-semana o tempo era meu, lá ia até à velha cidade tratar do fado e das guitarradas, em correspondência a esse apelo primário que vinha da infância. E foi assim que muitos fins-de-semana passei na capital do Mondego, onde nos encontrávamos, ora na Baco ou nos lncas, ora em sua casa ou no seu verdadeiro lar, que eram as ruas de Coimbra. E foi assim que se desenvolveu, não uma estima superficial de convenções, mas uma amizade de gente nova, sem rugas, própria dos afectos simples e verdadeiros.

Além de cantar, o que nós conversámos! Os problemas de então, as preocupações humanísticas e sociais eram assuntos nunca calados nos nossos longos diálogos. O cristianismo e os seus valores, os compromissos que a dignidade humana implica; a coerência e a hipocrisia. Avessos a todas as tiranias, éramos, assim, apóstolos silenciosos de um mesmo credo. O Zeca era espontâneo, desacautelado e livre como se vivesse sozinho no Mundo!

Apesar dos anúncios iniciais premonitórios, que estiveram na origem da nossa aproximação, afinal, nós éramos muito mais irmãos pela inteligência interpretativa do mundo e pela confiança na bondade dos afectos, do que pela voz! Éramos mais parecidos calados do que a cantar.

O Zeca tinha sofrido a influência religiosa densa de uma tia «beata», que talvez tenha contribuído para que tivesse deixado, logo no limiar da adolescência, qualquer manifestação de prática religiosa, mas essa formação, que continuou a fazer parte do pavimento em que assentava como criatura, acompanhou-o até ao fim. Nunca rejeitou a essência daquilo que moldou a sua natureza inquieta e generosa e deu expoente aos seus valores sociais.

Uma vez em que, com um pequeno grupo de amigos, decidi ir a Fátima de bicicleta, amedrontado com os duzentos e vinte quilómetros que tínhamos de percorrer, resolvi, com a anuência dos companheiros de viagem, partir a meio a distância e pernoitar na república Baco, sempre a primeira a ser procurada, porque nela viviam muitos conhecidos e alguns bons amigos: o Fernando Machado, o Manuel Pepe, o Batalim, o Dario — e também porque a canção coimbrã tinha aí uma grande sede. O convívio alegre e saudável compensava bem o sacrifício de certas incomodidades do alojamento. Era também frequente o Zeca passar por lá e, nessa noite, passou mesmo. Falou-se de tudo e, obviamente, também do motivo da nossa viagem. Ficou entusiasmado com a «peregrinação» e só não nos acompanhou porque, na manhã seguinte, não conseguimos encontrar em Coimbra uma bicicleta disponível.

A convergência das nossas pessoas, sentenciada naquela noite de Inverno, nunca sofreu retrocessos ou foi posta em causa por qualquer acidente ou assintonia. Pelo contrário, foi tomando corpo, progressivamente, mais verdadeira e consciente. Quanto melhor nos conhecíamos, mais os nossos ideais batiam certo ao ritmo de um mesmo compasso. Não há dúvida de que social e humanamente assentávamos os pés num mesmo chão e que, no essencial, éramos guiados por uma bússola orientada para um mesmo norte. Menos ancorado nos valores tradicionais, o Zeca sempre foi mais solto e, por isso, vagabundo. Mas, se em alguma coisa divergíamos, era em pequeníssimos pormenores que se escondiam na espuma de certos comportamentos.

Subitamente, fui mobilizado para prestar serviço médico militar em Angola. Os três anos (de 1963 a 1966) que lá passei foram muito mais do que a interrupção fortuita de um convívio que sempre fora reciprocamente desejado. Nenhuma das minhas outras amizades sofreu com essa ausência forçada.

Quando regressei de Angola, fui reencontrar o meu Amigo Zeca em Vilar de Mouros, protagonista zangado de um extenso protesto, ora em prosa ora em verso, meio recitado, meio cantado e que tinha como objecto a história de Catarina Eufémia. A mudança senti-a, sobretudo, no abraço frio que me deu quando, no fim da longa catilinária, desceu do palco! Não me surpreendeu o seu entusiasmo pela causa abraçada. Alguém agarrou bem a sua generosidade disponível, o vazio criado pela sua bondade por realizar. Espantou-me, sim, que na sua mente independente e lúcida deixasse de haver lugar para a sublimidade poética que nos tinha feito muito amigos! Nem a poesia escapa a certas escorregadelas da lógica! Tão semelhantes e, contudo, o Zeca acabou por ser o símbolo de uma revolução que me expulsou da Universidade.

Serafim Guimarães

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GrândolaJoão AfonsoJosé SaramagoLuís PastorVídeo
07/08/2006By AJA

Na biblioteca de Saramago

El sábado de la semana pasada tuvimos la fortuna de conocer a Joao Afonso, el sobrino de José Alfonso. Fué en la biblioteca de Saramago en Tías -Lanzarote-. Allí coincidió el grupo de artistas que visitaba la isla con motivo del concierto de Luis Pastor y su nuevo disco Duos. Fue una reunión íntima que terminó acariciada por poemas y canciones. Y no pude evitar coger la cámara y ponerme a grabar para socializar el pasaje.

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Biografia
02/08/2006By AJA

2 de Agosto – data de nascimento de José Afonso

“Parece que em princípio ninguém se lembra do acto de nascimento. Cientifi­camente não se pode confirmar que um indivíduo que nasce tenha a percepção do seu próprio nascimento. Agora que existe uma imagem persistente, uma luz muito difusa, translúcida e que através dessa luz figuras mal definidas se debru­çam sobre mim e a minha mãe…, tenho uma ideia disso. Há muitos anos que te­nho essa impressão.»

Para José Afonso, que assim «revelou»o seu próprio nascimento a Luís Filipe Rocha, «tudo parte de uma luz indife­renciável, uma luz que invade tudo, que me penetra por todos os lados, não é? Progressivamente através dessa luz vou distinguindo uma ou outra fi­gura. Tudo parte de uma luz branca, uma luz láctea. E não é uma luz do ti­po hectoplasma ou transcendental. Pelo contrário, é uma luz imanente, uma luz muito vital, como se fosse uma película, como se fosse um banho de leite, estás a perceber? Que me mergulhasse a mim ou que mergulhasse o universo.»

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Biografia
01/08/2006By AJA

Zeca a propósito da sua passagem pelo Algarve

Faro 1961 – 1964

Foi uma fase de euforia extremamente gratificante e das coisas mais felizes da minha vida. Escrevi na altura “Tenho barco, tenho remos”, a propósito de um barco que utilizávamos. Nesse barco do diabo fazíamos viagens fantásticas ou fantasmas(…) discutíamos pontos de vista vários. Tinhamos a mania de andar a pé até Olhão, até Quarteira e ainda mais longe.

José Afonso

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Homenagens e tributos (poesia)Luiza Neto Jorge
01/08/2006By AJA

Novos cruzados

Luiza Neto Jorge lembrando as suas deambulações em Faro com A. Barahona, Zeca Afonso, Bronze e Pité

Novos Cruzados

Sequiosos descem
seus corpos de esponja

a rolar na treva,
iates rompendo
à babugem da água,
caravanas caras
em fossados por
rochedos e hortas,
sedentos recolhem
cisternas, piscinas
sob o seu pendão,
e saqueiam, sangram
consagrados à
salvação do corpo
estes cruzados!



Luiza Neto Jorge

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